O ministro André Mendonça, do STF, autorizou nesta sexta-feira (22) o retorno do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para uma cela especial na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. Na última segunda-feira (18), ele havia sido transferido pela própria PF para uma cela comum.
Relator do caso envolvendo o Banco Master no Supremo, Mendonça acolheu pedido da defesa de Vorcaro, que argumentou que a permanência em cela ordinária era inadequada para um período prolongado de custódia. Segundo os advogados, o espaço é destinado a detenções transitórias e apresenta condições precárias, como ausência de janelas, chuveiro e ventilação mínima.
A transferência de Vorcaro para a cela comum ocorreu após a Polícia Federal rejeitar a primeira proposta de delação premiada apresentada pelo empresário.
Após a negativa da proposta de colaboração, o advogado José Luis Oliveira Lima deixou a defesa de Vorcaro. Em meio às negociações com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR), o empresário aumentou de R$ 40 bilhões para R$ 60 bilhões a oferta de ressarcimento em uma possível delação premiada.
A avaliação dos investigadores foi a de que os anexos entregues pela defesa não trouxeram elementos novos ou suficientes para justificar o avanço do acordo. Segundo relatos da investigação, o material repetia informações já reunidas no inquérito da Operação Compliance Zero e não esclarecia pontos considerados centrais pelas autoridades.
Na PF, a percepção era de que Vorcaro evitava comprometer pessoas próximas e não detalhava a participação de nomes que, na avaliação dos investigadores, ocupariam posição mais alta na suposta organização investigada. A delação premiada depende da apresentação de informações novas, verificáveis e úteis à investigação.