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BC diz que caso Banco Master não colocou sistema financeiro em risco

Relatório de Estabilidade Financeira afirma que liquidação do conglomerado Master não provocou efeito sistêmico. Documento alerta para avanço da inadimplência entre famílias e comportamento do crédito.

25/5/2026
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A liquidação extrajudicial de instituições ligadas ao conglomerado Master não provocou risco sistêmico para o Sistema Financeiro Nacional, segundo avaliação divulgada pelo Banco Central nesta segunda-feira (25). O diagnóstico consta do Relatório de Estabilidade Financeira (REF), referente ao segundo semestre de 2025.

De acordo com o BC, o episódio acionou os mecanismos de proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), mas não contaminou o restante do mercado. O relatório afirma que, após a liquidação, clientes ressarcidos pelo fundo redirecionaram recursos principalmente para instituições financeiras de maior porte e de maior relevância sistêmica, movimento considerado esperado em eventos de resolução bancária.

Veja o relatório na íntegra.

Detalhe da fachada da sede do Banco Master, localizada na Rua Elvira Ferraz, no bairro da Vila Olímpia, zona sul de São Paulo.Rafaela Araújo/Folhapress

O Banco Central também afirma que a crise pontual do conglomerado Master não teve impacto relevante nas taxas de instrumentos garantidos pelo FGC. Para a autoridade monetária, a manutenção do acesso das instituições financeiras ao mercado de captações reforça a confiança dos depositantes na solidez do sistema.

Sistema resiliente

Apesar do caso Master, o BC diz que não vê risco relevante para a estabilidade financeira no país. Segundo o relatório, o Sistema Financeiro Nacional permanece com capitalização e liquidez confortáveis, além de provisões adequadas para cobrir perdas esperadas. Os testes de estresse de capital e liquidez também indicam robustez do sistema bancário.

Crédito perde força

O relatório, no entanto, aponta preocupação com o comportamento do crédito. O financiamento à economia real continuou desacelerando, em linha com a moderação do crescimento da atividade econômica. Nas empresas, a desaceleração atingiu companhias de todos os portes. Nas famílias, houve arrefecimento das modalidades de maior risco, mas a situação segue considerada desafiadora.

Mesmo com o mercado de trabalho aquecido, com queda do desemprego e aumento do salário médio real, o comprometimento de renda das famílias voltou a subir no segundo semestre de 2025. O impacto foi maior entre os tomadores de menor renda, especialmente em razão da participação de modalidades de crédito mais caras.

Famílias pressionadas

A inadimplência segue como o principal fator de deterioração da carteira de crédito das pessoas físicas. Segundo o BC, os ativos problemáticos aumentaram em todas as modalidades de crédito às famílias, e as estimativas de probabilidade de calote indicam que a trajetória de alta deve continuar na maior parte das linhas.

No caso das empresas, a materialização de risco permaneceu relativamente estável. O Banco Central avalia que o aperto das condições financeiras ainda não comprometeu de forma significativa a capacidade de geração de caixa operacional das companhias, sobretudo as de maior porte. Ainda assim, o ambiente de juros elevados, endividamento e desaceleração da economia exige cautela adicional na concessão de crédito.

Mercado de capitais avança

Enquanto o crédito bancário perde força, o mercado de capitais continua crescendo em ritmo superior. O BC afirma que esse mercado, embora também tenha desacelerado desde o início de 2025, mantém expansão relevante, absorvendo parte da demanda de grandes empresas por financiamento por meio de debêntures e notas comerciais, além de parte do crédito rural por meio de Cédulas de Produto Rural.

O relatório também aponta que a rentabilidade do sistema financeiro permaneceu praticamente estável e que as provisões constituídas pelas instituições seguem compatíveis com as perdas esperadas. No cenário internacional, o BC vê aumento da incerteza, mas afirma que a oferta de linhas de financiamento externo ao sistema financeiro brasileiro continua abundante e superior à demanda.

O Relatório de Estabilidade Financeira é publicado semestralmente pelo Banco Central e reúne a avaliação da autoridade monetária sobre riscos, liquidez, crédito, rentabilidade, solvência e resiliência do Sistema Financeiro Nacional.

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