O ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) foi alvo de buscas da Polícia Federal na manhã desta terça-feira (26), em nova fase da Operação Compliance Zero. A investigação apura possíveis crimes financeiros envolvendo aplicações do Rioprevidência, fundo de previdência dos servidores estaduais do Rio em produtos ligados ao Banco Master.
A PF cumpre dez mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em Brasília. As ordens foram expedidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo a corporação, a nova fase da operação mira a possível aplicação irregular de aproximadamente R$ 3 bilhões do Rioprevidência em fundos de investimento de um banco privado.
A investigação é um desdobramento da Operação Barco de Papel, que já havia identificado aportes suspeitos do Rioprevidência em Letras Financeiras de um banco privado. Esses investimentos somaram cerca de R$ 970 milhões entre outubro de 2023 e julho de 2024, de acordo com a Polícia Federal.
Nesta nova etapa, os investigadores apuram aplicações posteriores, de R$ 2,01 bilhões, feitas a partir de julho de 2024 em fundos de investimento do mesmo banco. Somadas às operações anteriores, as transferências do Rioprevidência chegam a cerca de R$ 3 bilhões.
Castro comandava o Estado durante os aportes
O ex-governador comandava o Estado no período em que os aportes foram realizados pelo Rioprevidência. A Polícia Federal, em nota, não detalhou as suspeitas individualizadas contra cada alvo.
A operação ocorre dois meses após Castro deixar o governo do Rio. Ele renunciou ao cargo em 23 de março, antes da conclusão do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral sobre abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. Castro é pré-candidato ao Senado.
Previdência dos servidores
O Rioprevidência administra recursos destinados ao pagamento de aposentadorias e pensões dos servidores estaduais do Rio de Janeiro. Por isso, as aplicações em produtos financeiros do Banco Master passaram a ser questionadas pelo volume investido e pelos riscos envolvidos.
A apuração busca esclarecer quem autorizou as operações, quais critérios foram usados para os investimentos e se houve direcionamento irregular de recursos públicos para o conglomerado financeiro.
Caso Banco Master
O caso Banco Master já vinha provocando desdobramentos em diferentes frentes. Em fases anteriores da Operação Compliance Zero, a PF investigou suspeitas de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.
A operação foi deflagrada inicialmente em novembro de 2025 para apurar a emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras integrantes do Sistema Financeiro Nacional. O Banco Master era controlado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, alvo central das investigações sobre suspeitas de irregularidades no sistema financeiro.
A sexta fase da Compliance Zero, deflagrada em 14 de maio, aprofundou a apuração sobre uma organização criminosa suspeita de intimidação, coerção, obtenção de informações sigilosas e invasão de dispositivos informáticos, segundo a Polícia Federal.
Com o cumprimento dos mandados desta terça-feira, a PF pretende recolher documentos, aparelhos eletrônicos e outros materiais que possam indicar como os recursos do Rioprevidência foram aplicados e quem participou das decisões.
A investigação segue sob supervisão do STF. Os elementos apreendidos serão analisados para verificar se houve crime financeiro, desvio de finalidade ou participação de agentes públicos e privados nas operações envolvendo o fundo de previdência dos servidores do Rio.
Segunda operação em 11 dias
A operação deflagrada pela Polícia Federal nesta terça-feira é a segunda em 11 dias que atinge Cláudio Castro. No dia 15 de maio, o ex-governador já havia sido alvo de mandado de busca e apreensão na Operação Sem Refino, que apura suspeitas de irregularidades envolvendo um grupo econômico do setor de combustíveis.
Na ocasião, agentes cumpriram ordem judicial em endereço ligado a Castro em um condomínio na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio.
A Sem Refino também mirou o empresário Ricardo Magro, controlador do grupo Refit, dono da Refinaria de Manguinhos. A investigação apura suspeitas de fraude fiscal, ocultação patrimonial, dissimulação de bens e evasão de recursos ao exterior. A operação determinou o bloqueio de cerca de R$ 52 bilhões em ativos financeiros e a suspensão de atividades econômicas.