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Empregadores defendem que debate do fim da escala 6x1 seja pós-eleição

Entidades empresariais afirmam que discussão sobre o fim da escala 6x1 precisa considerar impactos sobre empregos, preços e produtividade.

27/5/2026
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Representantes do setor produtivo defenderam nesta terça-feira (26) que a discussão sobre o fim da escala de trabalho 6x1 seja feita de forma técnica e preferencialmente após o período eleitoral. O posicionamento foi apresentado em reunião com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e líderes partidários, na sala da Presidência da Casa.

O encontro ocorreu em meio ao avanço das propostas na Câmara dos Deputados. Os textos em análise preveem a substituição da escala 6x1 — seis dias de trabalho para um de descanso — pela jornada 5x2, além da redução da carga horária semanal máxima, atualmente fixada em 44 horas.

Participaram da reunião representantes da Confederação Nacional da Indústria (CNI), da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e de outras entidades empresariais.

Representantes da CNI e da Fiesp se reuniram com Davi Alcolumbre para defender adiamento do debate sobre o fim da escala 6x1 para após as eleições.Pedro Gontijo/Senado Federal

Câmara analisa PECs e projeto do governo

Entre as propostas em tramitação estão o projeto de lei 1.838/2026, encaminhado pelo governo federal, e duas propostas de emenda à Constituição: a PEC 8/2025, da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), e a PEC 221/2019, do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG).

O projeto do governo reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas, garante dois dias de descanso remunerado e proíbe redução salarial. Já as PECs em discussão na Câmara propõem redução gradual da jornada para até 36 horas semanais.

A votação do relatório da PEC na comissão especial da Câmara, prevista para esta semana, foi adiada após pedido de vista apresentado pelo deputado Mauricio Marcon (PL-RS). A expectativa é que a análise do texto seja retomada nos próximos dias e, em caso de aprovação, siga para o Senado.

A discussão mobiliza setores empresariais e sindicatos. Defensores da mudança argumentam que a redução da jornada pode melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores e elevar a produtividade. Já representantes da indústria e do comércio apontam risco de aumento de custos, informalidade e impacto sobre empregos.

Empresários falam em aumento de preços

Durante a reunião no Senado, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, criticou o que classificou como uso eleitoral do tema e defendeu que o debate ocorra após as eleições, com maior aprofundamento técnico.

Segundo ele, a proposta precisa considerar os impactos sobre cerca de 2 mil atividades econômicas e não deve resultar em "engessamento" das relações de trabalho na Constituição.

O presidente da CNI, Ricardo Alban, afirmou que a intenção da reunião não foi barrar as propostas, mas buscar uma solução equilibrada entre trabalhadores e empregadores. Ele avaliou que os textos em discussão podem provocar aumento médio de preços entre 6% e 8%, com repasse ao consumidor final.

"Não se pode discutir um assunto desses, com tamanha seriedade e importância, de uma forma açodada."

Entidades empresariais também têm defendido que mudanças na jornada sejam feitas por negociação coletiva, levando em conta as especificidades de cada setor. O próprio projeto do governo prevê possibilidade de ajustes por acordo coletivo em atividades com funcionamento contínuo e preserva escalas especiais, como a 12x36.

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