O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) afirmou que a direita pode apoiar a implementação da escala 4x3 — quatro dias de trabalho por três de descanso — para expor à população os impactos econômicos da medida antes das eleições de 2026.
Em vídeo publicado nas redes sociais, o parlamentar declarou: "Se é na dor que aprende, que assim seja".
A fala ocorre após o PL mudar de posição sobre o debate do fim da escala 6x1 e anunciar apoio a uma proposta alternativa baseada na escala 4x3, sem período de transição.
No vídeo, Nikolas argumenta que votar contra a proposta faria a direita parecer "inimiga do povo". Segundo ele, a estratégia seria apoiar a medida para que eventuais efeitos negativos ocorram ainda antes das eleições presidenciais.
"A gente quer mostrar que quando der merda, a culpa é deles."
O deputado argumenta que a direita apoiaria a proposta não por concordar com ela, mas para que eventuais efeitos negativos sobre a economia fossem atribuídos ao PT antes das eleições de 2026.
Segundo Nikolas, seria necessário que a população "sentisse na pele" os impactos da medida para perceber, na visão dele, os riscos das propostas defendidas pela esquerda.
Durante o vídeo, o parlamentar afirma que "muitas das vezes, pra melhorar, tem que piorar" e compara a estratégia à necessidade de permitir que um "criminoso" cometa o "crime" para que as pessoas reconheçam o erro.
Proposta sem transição
O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), afirmou que o partido pretende apresentar um destaque para implementar imediatamente a escala 4x3, diferentemente do texto em discussão na comissão especial da Câmara, que prevê redução gradual da jornada semanal de 44 para 40 horas.
No vídeo, Nikolas também criticou a exclusão de servidores públicos das discussões sobre o fim da escala 6x1.
Segundo ele, a medida teria sido direcionada apenas ao setor privado por causa dos possíveis impactos econômicos.
O deputado ainda argumenta que, caso o PT rejeite a implementação imediata da escala 4x3, isso indicaria que a proposta teria caráter eleitoral.
Por outro lado, sustenta que, se a medida for aprovada para entrar em vigor rapidamente, os efeitos econômicos negativos apareceriam antes das eleições.