Notícias

Relator quer marco da IA "atemporal" para acompanhar inovação

Aguinaldo Ribeiro afirma que parecer deve priorizar mecanismos de governança e evitar que a lei fique ultrapassada diante do avanço tecnológico.

1/6/2026
Publicidade
Expandir publicidade

O relator do projeto que regulamenta o uso da inteligência artificial no Brasil, deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), afirmou que pretende apresentar um parecer "vivo" e suficientemente flexível para acompanhar a rápida evolução tecnológica sem exigir alterações constantes na legislação.

Em entrevista ao Congresso em Foco durante o Fórum de Lisboa, o parlamentar disse que o objetivo é construir um marco legal duradouro, capaz de se adaptar às transformações do setor.

"Nós estamos tratando uma matéria que muda a cada minuto. A evolução tecnológica acontece em ciclos cada vez mais curtos. Dizem que o ciclo da inteligência artificial será muito mais rápido do que foi o da internet. Por isso, é preciso ter uma lei que possa acompanhar essa evolução."

Segundo Ribeiro, um dos pilares da proposta será a criação de um modelo de governança para o setor.

"Nesse sentido, estamos construindo um desenho de lei que possa perdurar e que não precise ser modificado a todo momento. Esse é o nosso foco. Sem dúvida nenhuma, a governança será um dos pontos mais relevantes", disse.

A expectativa é de que o parecer seja apresentado na comissão especial em 9 de junho. Ribeiro informou que, após apresentar o parecer, pretende discutir o texto com líderes partidários e parlamentares antes da votação no colegiado.

O tema é uma das prioridades do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), que pretende levar o projeto ao plenário ainda este mês.

Impasse sobre direitos autorais

O relator reconheceu que a questão dos direitos autorais continua sendo o principal ponto de divergência nas discussões sobre o projeto. Segundo ele, ainda não há consenso internacional sobre como remunerar autores cujas obras são utilizadas no treinamento de sistemas de inteligência artificial.

"Não existe hoje uma solução que atenda a todos. Estamos buscando esse caminho, mas o mundo inteiro ainda está aprendendo qual é o melhor modelo para permitir o treinamento de IA com a devida remuneração dos autores."

Para Ribeiro, esse é atualmente o tema de maior tensão dentro do debate regulatório. Nos demais pontos, ele avalia que houve avanços significativos após consultas à sociedade civil e aos diferentes setores envolvidos.

"Os outros temas foram amplamente discutidos e avançaram bastante. Tenho certeza de que não serão obstáculos para a votação da proposta", afirmou.

IA e eleições

O deputado também defendeu cautela na adoção de medidas restritivas relacionadas ao uso de inteligência artificial em campanhas eleitorais. Segundo ele, a dificuldade prática de impedir o uso da tecnologia exige uma discussão sobre mecanismos alternativos de responsabilização.

"Hoje é quase impossível proibir a utilização da inteligência artificial. Precisamos avaliar qual é o melhor caminho. Talvez a responsabilização seja uma alternativa para evitar impactos indevidos no processo eleitoral e na vontade do eleitor."
Veja mais no portal
cadastre-se, comente, saiba mais

Notícias Mais Lidas

Artigos Mais Lidos