Notícias

"Não foi eleito para ser imperador do mundo", diz Lula sobre Trump

Lula retomou críticas à conduta do presidente americano e afirmou que não se intimida com discursos militaristas de Trump.

12/6/2026
Publicidade
Expandir publicidade

Durante visita ao Observatório Regional Amazônico, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tornou a criticar o tratamento dado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à comunidade internacional. O chefe de governo reafirmou a cobrança do representante americano para que respeite a soberania de outros países, em especial o Brasil.

"A minha tese é provar que você [Trump] foi eleito para ser presidente dos Estados Unidos e eu respeito o voto do povo americano, mas que você não foi eleito para ser imperador do mundo, onde você pode dizer tudo o que você quer e as pessoas ficarem quietas", disse Lula.

Veja a fala:

O petista também ressaltou que não se sentiu intimidado quando, nas reuniões com Trump, o líder norte-americano enfatizou o poderio militar de seu país. "Não adianta falar para mim que você tem o navio maior do mundo, que você tem os aviões mais rápidos do mundo. Eu não quero guerra com você, a minha guerra é narrativa. A minha guerra é provar que nós estamos certos e que vocês estão errados".

Segundo Lula, "com o Brasil não é assim". "A gente não quer briga, a gente quer respeito. A gente não quer briga, a gente quer igualdade. A gente não quer briga, a gente quer civilidade, comércio e desenvolvimento para os dois países", declarou.

Relação estremecida

Desde setembro de 2025, os presidentes Lula e Trump adotaram um discurso de apaziguamento, expressando disposição em retomar a política de boa vizinhança entre os dois países e de negociar caminhos para retirar as tarifas de importação americanas a produtos brasileiros. No início de maio, se encontraram pessoalmente em Washington, e passaram três horas reunidos na Casa Branca.

A situação mudou no início deste mês, quando o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), ligado ao governo americano, apresentou um relatório propondo a imposição de tarifas de 25% sobre importações brasileiras.

A entidade acusou o país de manter práticas comerciais desleais a partir do sistema Pix, bem como de não corresponder a demandas internacionais de proteção ao meio ambiente e de combate ao trabalho escravo; e também de oferecer condições de comércio melhores a outros países no lugar dos Estados Unidos.

Para Lula, o relatório do USTR foi feito sem um parâmetro técnico, e a resposta oferecida será de comparação na conduta dos dois países.

"É lógico que nós temos defeito, mas eu quero comparar o direito dos trabalhadores americanos com o direito dos trabalhadores brasileiros. Eu quero comparar, porque quando a gente está negociando com alguém que não tem parâmetro para negociar, com alguém que não se comporta de forma civilizada para negociar, a gente vai ter que fazer comparação", antecipou.

Veja mais no portal
cadastre-se, comente, saiba mais

Notícias Mais Lidas

Artigos Mais Lidos