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Direita deve ter ao menos 40 das 81 cadeiras no Senado em 2027

Com 17 senadores remanescentes e favoritismo em 23 vagas, campo que hoje faz oposição a Lula ficaria a uma cadeira da maioria absoluta, indica projeção do Congresso em Foco com base em pesquisas mais recentes.

16/6/2026
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A direita se aproxima da maioria absoluta no Senado e pode chegar a 40 cadeiras a partir de 2027, uma a menos que o necessário para controlar a Casa. Para formar maioria, são necessários 41 dos 81 senadores. Projeção feita pelo Congresso em Foco com base nas pesquisas mais recentes registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aponta favoritismo de partidos de direita e centro-direita na corrida por ao menos 23 das 54 vagas em disputa em outubro.

Esse grupo, que hoje faz oposição ao governo Lula, já larga em vantagem por reunir 17 dos 27 senadores que estão no meio do mandato e continuarão na Casa no próximo ano. Considerado o cenário mais provável hoje, partidos de direita e centro-direita podem somar 40 dos 81 senadores a partir de fevereiro. Esse número, porém, pode variar até a eleição, tanto por mudanças nas candidaturas e alianças estaduais quanto pelo desempenho de partidos que hoje reúnem parlamentares governistas e oposicionistas.

Nas eleições de outubro, o Senado renovará dois terços de sua composição — duas cadeiras por Estado e pelo Distrito Federal — em uma disputa que entrou no centro da estratégia da base governista e da oposição. O resultado poderá definir o grau de força do próximo governo no Congresso e influenciar os rumos da administração eleita, seja ela qual for.

Entre os 27 senadores que continuarão na Casa, dez são do PL, quatro do Republicanos e três do PP, bancadas integralmente oposicionistas no Senado.

Senado renovará 54 das 81 cadeiras na eleição de outubro. Maioria dos remanescentes é da oposição.Marcos Oliveira/Agência Senado

Fotografia provisória

O levantamento deve ser lido como uma fotografia do momento, não como previsão de resultado. Parte dos nomes testados nas pesquisas ainda não teve candidatura confirmada, alianças estaduais podem ser refeitas e as chapas só serão formalmente definidas nas convenções partidárias, previstas no calendário eleitoral para o período de 20 de julho a 5 de agosto.

Quando há mais de uma pesquisa no mesmo Estado, o Congresso em Foco prioriza a mais recente. Nos casos de empate técnico, disputa aberta pela segunda vaga ou ausência de dados completos, a projeção não crava vencedores e considera mais de uma possibilidade.

Levantamento de pesquisas indicam variação no número de senadores eleitos por partido em 2026.Arte Congresso em Foco

Oposição mais perto da maioria

A composição dos 27 senadores remanescentes impõe uma largada mais difícil para a base de Lula. O campo governista parte de nove cadeiras e teria de conquistar 32 das 54 vagas em disputa para formar maioria própria no Senado.

Esse cenário ajuda a explicar por que a eleição para a Casa virou prioridade dos dois lados. A maioria no Senado tende a ser decisiva na escolha do presidente da Casa, cargo com poder sobre o ritmo e a pauta das votações. Além disso, cabe aos senadores aprovar indicações ao Supremo Tribunal Federal, à Procuradoria-Geral da República, ao Banco Central, às agências reguladoras e a embaixadas.

O Senado também pode instalar CPIs, votar propostas de emenda à Constituição e julgar processos de impeachment de autoridades, como ministros do STF. O presidente da Casa tem força para dar andamento ou barrar esse tipo de pauta.

Entre os 54 senadores que estão em fim de mandato, 32 são da base governista, seis são independentes e 16 fazem parte da oposição.

A posição em relação ao governo dos senadores remanescentes.Arte Congresso em Foco

PL e MDB lideram projeção

No cenário mais provável hoje, PL e MDB aparecem empatados na liderança, com dez cadeiras projetadas cada. O PT vem em seguida, com sete. União Brasil aparece com cinco vagas; PSD, PSB e Republicanos, com quatro cada; PP, com três; e Podemos, com duas. Avante, PDT, Novo, Psol e Rede aparecem com uma cadeira cada.

Considerando PL, União Brasil, PP, Republicanos e Novo como partidos conservadores ou de centro-direita, esse bloco poderia eleger 23 senadores. A conta pode crescer se forem incluídos candidatos de MDB e PSD alinhados à direita em seus Estados, mas o levantamento evita classificar essas duas legendas de maneira monolítica, por causa do perfil regional e pragmático de ambas. A maior parte dos integrantes dessas duas siglas com assento no Senado atualmente vota com o governo.

PL tem maior teto

Quando entram na conta os empates técnicos e as disputas abertas, o PL aparece com o maior potencial de crescimento. O partido pode variar de sete a 17 cadeiras. O MDB oscila menos, de oito a 11. O PT pode eleger de quatro a 11. O PSD varia de dois a nove; o PP, de dois a oito; e o União Brasil, de três a sete.

Os tetos não podem ser somados, porque vários partidos disputam as mesmas vagas nos Estados. Eles indicam apenas o melhor cenário possível de cada legenda dentro das disputas ainda abertas.

Outro fator que dificulta a projeção partidária é o fato de oito dos 27 senadores remanescentes serem pré-candidatos ou cotados para disputar outros cargos em 2026.

Comparação com 2018 e 2022

A eleição de 2026 se parece mais com a de 2018 do que com a de 2022. Em 2018, também foram renovadas 54 cadeiras. O MDB foi o partido que mais elegeu senadores, com sete vagas. Na sequência vieram PP e Rede, com cinco cada. Aquele pleito marcou forte renovação e abriu espaço para o discurso antissistema associado à ascensão política de Jair Bolsonaro, eleito presidente naquele ano.

Em 2022, quando Bolsonaro perdeu a reeleição para Lula, apenas 27 cadeiras estavam em disputa. O PL foi o maior vencedor, com oito senadores eleitos. O União Brasil elegeu cinco. A votação consolidou a presença da direita no Senado, que agora tenta ampliar esse peso em uma eleição de renovação maior.

Senado estratégico

Para o analista político Antônio Augusto de Queiroz, ex-diretor do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), a eleição para o Senado é "absolutamente estratégica". Ele avalia que uma maioria de direita radical pode criar um ambiente de crise permanente, com rejeição de autoridades, pressão sobre ministros do Supremo e uso mais intenso dos instrumentos de confronto institucional.

"A tendência é haver um Senado mais conservador, mais instável e o mais contestador da história do país. Depois da derrota em 2022, Bolsonaro se convenceu de que o Senado é o cerne. É a Casa que aprova e pode afastar autoridades e que pode viabilizar ou inviabilizar um governo", afirma Queiroz.

Segundo ele, a tendência é que tanto a esquerda quanto a extrema direita cresçam, enquanto o centro pode perder espaço. Esse diagnóstico ajuda a explicar por que partidos ligados ao governo passaram a buscar candidaturas mais competitivas e por que a oposição trata o Senado como uma das principais frentes da eleição de outubro.

Disputa aberta

Apesar da vantagem conservadora na fotografia atual, a disputa está longe de estar fechada. Estados como São Paulo, Paraná, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Sergipe, Acre, Amazonas e Rio Grande do Sul concentram cenários mais indefinidos.

A indefinição decorre de empates técnicos, possíveis trocas de candidatos e arranjos estaduais ainda não fechados. Até as convenções, partidos podem retirar nomes, formar alianças ou reorganizar chapas para tentar reduzir a fragmentação em campos ideológicos próximos.

Como foi feita a projeção

A projeção considera as 54 cadeiras em disputa em 2026, pesquisas estaduais registradas no TSE desde março, com prioridade para as mais recentes, e o perfil partidário dos nomes competitivos em cada Estado.

Nos casos em que há empate técnico, ausência de dados completos ou disputa aberta pela segunda vaga, o levantamento trabalha com faixas de variação. Até outubro, candidaturas podem mudar, alianças estaduais podem ser refeitas, chapas podem ser reorganizadas e o humor do eleitorado ainda pode alterar a disputa.

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