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Copa vira vitrine para impulsionar discursos políticos nas redes

Lideranças de governo e oposição recorreram ao futebol para dialogar com apoiadores e marcar posição nas redes.

15/6/2026
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A estreia da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026, no último sábado (13), serviu de combustível para que pré-candidatos à presidência da República e parlamentares ampliassem a exposição de discursos políticos nas redes sociais.

Entre manifestações de apoio ao time, memórias afetivas ligadas ao futebol e ataques a adversários, políticos aproveitaram a mobilização do público digital em torno do torneio internacional para reforçar suas principais bandeiras no debate público.

O engajamento digital em torno da Copa do Mundo cria um terreno fértil para a criação de vitrines políticas: o campeonato mundial se encerra na véspera do início do período eleitoral, configurando um espaço estratégico para o fortalecimento público de pré-campanhas.

Confira congressistas que expressaram suas pautas na Copa:

Do campo ao Congresso

Entre os parlamentares, o líder do governo no Congresso Nacional, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), compartilhou um vídeo do prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, que mencionava a Democracia Corintiana em discurso sobre a Copa do Mundo.

Ao comentar a publicação, ressaltou a relação entre futebol e política. "Futebol e política também se comunicam. E ver a defesa da democracia e dos mais pobres ecoando mundo afora, inspirada em um dos maiores legados do nosso futebol, é motivo de orgulho."

Captura de tela. X/Reprodução

Já o líder do governo na Câmara, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), adotou um tom nostálgico ao recordar Copas do Mundo que marcaram sua trajetória. Em vídeo nas redes sociais, rememorou a conquista de 1970 e a seleção de 1982. "A Seleção de 82 é a Seleção que marcou a minha geração. É a Seleção daquele meio campo histórico. Cerezo, Falcão, Sócrates e Zico", relembrou.

Na oposição, o empate entre Brasil e Marrocos também foi explorado politicamente. Parlamentares associaram a bandeira marroquina, vermelha com uma estrela ao centro, à identidade visual do PT.

Veja os comentários:

Horas antes da partida, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), 1º vice-líder da oposição na Câmara, divulgou um vídeo em que relacionava os símbolos da equipe adversária ao PT. "Hoje a gente joga contra um time de vermelho, com a estrela no meio e no dia 13, tá? Só ganha da gente hoje no tapetão", afirmou.

Após o jogo, o ex-deputado Deltan Dallagnol, pré-candidato ao Senado pelo Novo no Paraná, recorreu ao resultado para criticar o partido governista. "A palavra 'empate' vem da ideia de algo que fica preso, travado, impedido de avançar. É a imagem exata do Brasil com o PT. (...) É a eterna promessa do país do futuro que nunca vira presente. Eles empatam o Brasil", declarou.

Por outro lado, o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), manifestou-se em sentido oposto, comparando o time à atual gestão: "A seleção brasileira hoje jogou igual ao país do presidente Descondenado! Muito ruim", comentou. Em outro tweet, sugeriu "substituir o time pra dar certo", marcando o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Captura de tela. X/Reprodução

Escalação ao Planalto

Entre os políticos que aproveitaram a onda de engajamento da Copa, estão alguns dos principais pré-candidatos à Presidência da República. Entre eles, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que divulgou um vídeo com recados à Seleção horas antes da partida contra o Marrocos, encerrada em empate por 1 a 1.

Na gravação, direcionada ao técnico Carlo Ancelotti, Lula pediu empenho dos jogadores e vinculou o desempenho da equipe à representação do país. "Além de jogar a bola que vocês sabem jogar, joguem com um pouco de alma. Quando caírem, levantem e vão tirar a bola do adversário", afirmou. Em outro trecho, acrescentou: "Eles têm de estar bem, têm de estar motivados, têm de jogar pensando no povo brasileiro".

Veja a fala do presidente:

Pelo PL, o senador Flávio Bolsonaro utilizou o início da competição para reforçar a associação entre o campo conservador e os símbolos nacionais. Em vídeo divulgado durante agenda no Pará, classificou a camisa amarela da Seleção como "camisa do Bolsonaro" e convocou apoiadores a utilizá-la durante a Copa.

"A gente vai botar a camisa do Bolsonaro, que vocês estão vestindo aí, e torcer pela nossa seleção. A Copa do Mundo começa hoje. (...) O Lula é tão ladrão que até a bandeira ele quer roubar. O PT largou a bandeira do Brasil na lata do lixo. O Bolsonaro foi lá, pegou essa bandeira e a levantou, com orgulho, porque a gente é brasileiro", declarou.

O congressista também disse ter conversado com seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, sobre as expectativas quanto ao jogo, tendo esperado um resultado de 2x1 para o Brasil.

Captura de tela. X/Reprodução

Também pré-candidato ao Palácio do Planalto pelo Novo, o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema recorreu ao torneio para misturar previsões esportivas e pautas de sua agenda política.

Em vídeo publicado nas redes sociais, elaborou uma grade de classificação na qual as escolhas por pautas de um futuro governo aparecem no lugar dos times, apresentando propostas como a privatização de estatais, revisão do Bolsa Família e "o fim dos privilégios" de autoridades. No fim, comentou sobre a expectativa para a Copa: "Brasil Hexa. Estamos aqui torcendo".

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