Em entrevista ao Congresso em Foco, o deputado português Marcus Santos defendeu regras mais rígidas para imigração, apesar de ser um imigrante brasileiro.
Filiado ao partido Chega, crescente da "direita musculada" no país europeu, o parlamentar disse ter enfrentado questionamentos quanto à política migratória. "As pessoas diziam: 'você é imigrante, como pode defender isso? Eu explicava que o país é como a nossa casa", afirmou.
Segundo ele, a proposta não é impedir a entrada de estrangeiros, mas estabelecer critérios mais rigorosos. Santos reiterou que sua posição, assim como a do partido, se baseia na ideia de organização e segurança.
"Eu sempre aprendi que as nossas casas têm portas e janelas, para quê? Não é só para manter a temperatura ambiente de casa. É também para proteger a nossa casa e o nosso país, que é a extensão da nossa casa. Assim como não deixo qualquer pessoa entrar na minha casa, também não vou deixar qualquer pessoa entrar no meu país."
Segurança
O deputado argumentou que muitos estrangeiros escolhem Portugal não por fatores econômicos, mas principalmente pela segurança.
Na avaliação de Santos, imigrantes brasileiros são motivados por dois atrativos: a proximidade linguística e a maior segurança em comparação com o Brasil.
Para ele, a ausência de controle rigoroso pode abrir espaço para a entrada de organizações criminosas. "Nós fugimos do PCC e do Comando Vermelho, não queremos permitir que essas pessoas entrem aqui", declarou.
Marcus Santos rejeitou o rótulo de que o Chega seja um partido contrário à imigração. Segundo ele, a legenda defende um modelo imigratório firme, com cautela. "O Chega não é anti-imigração, defende uma imigração controlada e regulada."