O brasileiro Marcus Santos, deputado da Assembleia da República por Portugal, afirmou que o partido Chega não deve ser classificado como extrema-direita, mas sim como uma "direita musculada".
Em entrevista ao Congresso em Foco, o parlamentar destacou que o título de "extrema" se refere a frentes como o nazismo ou fascismo, o que é proibido em Portugal.
O parlamentar argumentou que os ideais do partido foram analisados pela Justiça portuguesa antes de legalizá-lo. "Quando o Tribunal Constitucional reconheceu o nosso partido, viu que não tinha nada de fascista ou nazista", afirmou. Segundo ele, o rótulo é uma "falácia" utilizada por adversários políticos que busca gerar medo na população.
"É uma falácia da esquerda para amedrontar as pessoas. Para dizer, 'olha, vem aí novamente o fascismo na Europa, vem aí de novo o nazismo. Então, nós não aceitamos e rebatemos esse rótulo de extrema-direita. Não somos extrema-direita. Somos uma direita radical, somos uma direita musculada e que não temos vergonha de dizer para que viemos."
Partido "antissistema"
Santos destacou o avanço rápido da legenda desde sua fundação, em 2019. Na primeira eleição, o partido elegeu apenas um deputado. Em 2022, saltou para 12 cadeiras e, atualmente, ocupa posição de destaque no Parlamento.
O brasileiro afirmou que o partido se popularizou por mostrar à população esquemas de corrupção do governo, o que gerou instabilidade política. Segundo ele, o Chega surge como uma força "antissistema", para romper com práticas consolidadas no Estado.
"Nós somos um partido de sete anos tentando combater o sistema. Esses outros partidos existem já há 50 anos, ou seja, estão enraizados. Eles são o sistema, e nós somos um partido antissistema."
Em fevereiro deste ano, os portugueses foram às urnas para eleger um novo presidente em segundo turno. António José Seguro, do Partido Socialista, foi eleito com 66,83% dos votos enquanto André Ventura, do Chega, somou 33,17%.
Para Santos, o desempenho não pode ser considerado uma derrota. O deputado esclareceu que, apesar de entrar na disputa presidencial, a sigla não almejava a vitória.
"Não era uma eleição que o André Ventura queria, ou que o Chega queria. Porque presidente da República aqui não governa. O que os portugueses querem, o que a direita em Portugal quer, é que o André Ventura seja primeiro-ministro", argumentou.
De acordo com ele, a meta traçada pelo partido desde a fundação era chegar ao governo em oito anos. Esse prazo está próximo de se cumprir, disse.
"O André Ventura sempre diz, desde 2019, que em oito anos nós sairíamos do governo. Portanto, em sete anos somos o segundo maior partido. Falta um ano."
O que une direta e esquerda
Apesar do tom político mais duro, o deputado destacou o papel do esporte como espaço de convergência entre diferentes ideologias.
Integrante da comissão de esportes da Assembleia da República, ele afirmou que projetos na área costumam ser aprovados com apoio amplo no Parlamento. "Há uma unanimidade, da esquerda à direita, quando falamos de esporte", afirmou.
Santos também relembrou sua experiência como atleta e professor, destacando o caráter inclusivo das atividades esportivas. "Nas minhas aulas tinha muçulmanos, cristãos, judeus, homens, mulheres, todos unidos pelo desporto", disse.
Em relação ao cenário brasileiro, vê consenso semelhante. "Acredito que o esporte pode unir o povo brasileiro, pelo menos durante esse período de Copa do Mundo", afirmou.