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BC vê piora na inflação e indica freio em cortes da Selic, mostra ata

Comitê de Política Monetária vê cenário mais difícil para controlar os preços e indica que a taxa básica de juros deve cair mais devagar. Veja a íntegra do documento.

23/6/2026
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O Banco Central avalia que o cenário de inflação piorou e sinalizou que poderá reduzir o ritmo ou até interromper novos cortes da Selic nas próximas reuniões. A avaliação aparece na ata do Comitê de Política Monetária (Copom), que detalha a decisão tomada na semana passada, quando a taxa básica de juros caiu para 14,25% ao ano.

Veja a íntegra da nova ata do Copom.

A Selic é o principal instrumento usado pelo Banco Central para tentar controlar a inflação. Quando os juros ficam altos, o crédito tende a encarecer, o consumo perde força e a pressão sobre os preços diminui. Por isso, mesmo após cortar a taxa, o Copom deixou claro que a política monetária continuará restritiva.

Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, também preside as reuniões do Copom.Gabriel Silva/RasPress/Folhapress

Inflação se afasta da meta

Segundo a ata, a inflação cheia e os núcleos — medidas que ajudam a identificar pressões mais persistentes — voltaram a acelerar. O IPCA, principal índice de inflação do país, ficou acima do limite superior da meta na última leitura.

As expectativas do mercado também seguem acima do objetivo perseguido pelo Banco Central. Pela pesquisa Focus, a inflação esperada é de 5,30% em 2026 e 4,10% em 2027. No cenário do próprio Copom, o IPCA deve fechar 2026 em 5,2% e chegar a 3,7% no fim de 2027, horizonte usado pelo BC para calibrar os juros.

A ata afirma ainda que houve nova piora nas expectativas para prazos mais longos, especialmente 2028. Para o Copom, quando o mercado passa a duvidar da volta da inflação à meta, o custo de controlar os preços aumenta. Por isso, o documento diz que será necessária uma restrição monetária maior e por mais tempo.

Próximos cortes não estão garantidos

O trecho mais relevante para os juros está na discussão sobre as próximas decisões. O Copom afirma ter analisado cenários com diferentes momentos de pausa e retomada do ciclo de cortes. Na prática, isso significa que novas reduções da Selic não estão garantidas.

O Banco Central também diz que os próximos passos dependerão de novos dados sobre inflação, atividade econômica, câmbio, commodities e expectativas. O documento cita ainda incertezas externas, como os conflitos no Oriente Médio e dúvidas sobre a política econômica dos Estados Unidos, que podem afetar preços de petróleo, energia e alimentos.

A última reunião do Copom foi realizada nos dias 16 e 17 de junho. Participaram dela o presidente do BC, Gabriel Galípolo, e os diretores:

  • Ailton de Aquino Santos
  • Gilneu Francisco Astolfi Vivan
  • Izabela Moreira Correa
  • Nilton José Schneider David
  • Paulo Picchetti
  • Rodrigo Alves Teixeira

Mercado de trabalho e contas públicas entram no radar

No Brasil, o Copom vê sinais mistos. A economia voltou a ganhar força no primeiro trimestre, mas ainda há expectativa de crescimento mais moderado ao longo do ano. O mercado de trabalho, porém, segue aquecido, com desemprego em níveis historicamente baixos e renda crescendo acima da produtividade.

Esse quadro preocupa o Comitê porque pode manter a inflação de serviços mais resistente. A ata também voltou a cobrar disciplina fiscal. Segundo o BC, incertezas sobre a dívida pública, aumento de crédito direcionado e perda de esforço em reformas podem elevar a taxa de juros necessária para controlar a inflação.

O balanço de riscos segue desfavorável. O Copom vê mais chances de a inflação surpreender para cima do que para baixo. Entre os riscos estão expectativas desancoradas, serviços resistentes, câmbio mais pressionado, choques no petróleo e estímulos ao consumo.

A mensagem central da ata é que o corte da Selic não abriu caminho automático para novas quedas. Com inflação mais distante da meta e incerteza elevada, o Banco Central indica que os juros devem continuar altos por mais tempo.

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