A segunda rodada da pesquisa nacional da Indexa Pesquisas mostra que a disputa presidencial de 2026 segue concentrada entre os dois principais polos políticos do país. O presidente Lula (PT) lidera a corrida ao Planalto, com 42% das intenções de voto, seguido pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), que aparece com 31%.
Os demais nomes testados permanecem distantes. Ronaldo Caiado (PSD) tem 5%, enquanto Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) aparecem com 3% cada. Joaquim Barbosa (DC) e Augusto Cury (Avante) marcam 1%. Samara Martins (UP) e Cabo Daciolo (Mobiliza) têm 0%. Votos brancos e nulos somam 8%, e 6% dos entrevistados não souberam ou não responderam.
O levantamento também mostra que Lula derrotaria Flávio em um eventual segundo turno, por 47% a 40%. Em relação à rodada anterior, em maio, o presidente avançou um ponto percentual, e o senador caiu um.
Terceira via travada
Na comparação com a rodada anterior, realizada em maio, Lula oscilou de 39% para 42%, e Flávio Bolsonaro passou de 30% para 31%. Entre os candidatos alternativos, o desempenho continua baixo: Caiado recuou de 7% para 5%, Zema caiu de 5% para 3%, e Renan Santos subiu de 2% para 3%.
Os recortes regionais mostram que os nomes de fora da polarização ainda têm desempenho localizado. Zema alcança seu melhor resultado no Sudeste, com 5%. Caiado chega a 10% no Centro-Oeste. Já Renan Santos enfrenta o desafio do desconhecimento: 32% dos brasileiros dizem não conhecê-lo o suficiente para opinar. No Sul, o índice sobe para 41%.
Para o sociólogo e CEO da Indexa Pesquisas, Arilton Freres, as alternativas de terceira via ainda não conseguiram romper a barreira da polarização nacional.
"Os dados mostram que as alternativas de terceira via ainda não conseguiram romper a barreira da polarização nacional, enfrentando desconhecimento e baixa tração fora de suas regiões de origem. Enquanto Lula e Flávio Bolsonaro possuem eleitorados consolidados, os demais candidatos ainda precisam ampliar significativamente seu nível de conhecimento para se tornarem competitivos", afirma.
Eleitorado cristalizado
A pesquisa também indica alto grau de decisão do eleitorado. Segundo o levantamento, 67% dos entrevistados dizem que o voto já está definido. Outros 25% afirmam que ainda podem mudar de escolha, e 8% não souberam ou não opinaram.
Entre os eleitores de Lula, 81% dizem que a decisão já está tomada. Entre os apoiadores de Flávio Bolsonaro, o percentual é de 74%. A fidelidade do voto de 2022 também se mantém elevada: 84% dos que dizem ter votado em Lula no segundo turno afirmam que votarão novamente no petista; entre os que votaram em Jair Bolsonaro, 69% declaram voto em Flávio.
Em um eventual segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, o presidente aparece com 47%, contra 40% do senador. Brancos e nulos somam 9%, e 4% não souberam ou não responderam. Contra Renan Santos, Lula venceria por 48% a 28%.
Trump entra no radar
Além da disputa presidencial, a Indexa mediu a percepção dos brasileiros sobre temas que podem influenciar a campanha, entre eles o tarifaço anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo a pesquisa, 82% dos entrevistados afirmam saber das novas ameaças de Trump de tarifar novamente o Brasil. Outros 8% dizem não ter conhecimento do assunto, e 10% não opinaram.
O levantamento também investigou a quem os brasileiros atribuem responsabilidade pelo episódio. Segundo a Indexa, 20% culpam Trump pelo tarifaço, outros 20%, Lula. Para 15%, Flávio Bolsonaro é o principal responsável pela medida. Não souberam responder ou indicaram outros, 10%.
Entre os que responsabilizam Lula, aparecem justificativas como o fato de ele ser presidente, a avaliação de que não sabe negociar, conflitos com Trump ou com os Estados Unidos, má administração e corrupção.
Entre os que atribuem responsabilidade a Flávio Bolsonaro, os motivos citados incluem tentativa de prejudicar o governo brasileiro, salvar a família Bolsonaro, relação com Trump e com os Estados Unidos, partido político, corrupção e politicagem.
Já entre os que responsabilizam Trump, a justificativa mais frequente é a defesa dos interesses norte-americanos. Também aparecem menções a tentativa de desestabilizar países, ego, criação de conflitos e decisão final do presidente americano.
Pix e crime organizado
A pesquisa também abordou o PIX e o combate ao crime organizado. Segundo a Indexa, o sistema de pagamentos instantâneos está amplamente incorporado ao cotidiano dos brasileiros e desperta interesse sempre que surgem discussões sobre mudanças em sua utilização, fiscalização ou regulamentação.
No tema da segurança pública, o levantamento aponta amplo apoio a medidas de combate às facções criminosas. A pesquisa identifica convergência entre eleitores de diferentes campos políticos sobre a necessidade de fortalecer políticas públicas contra o crime organizado, embora haja diferenças sobre quais estratégias devem ser priorizadas.
Metodologia
A segunda rodada da pesquisa nacional da Indexa Pesquisas foi realizada entre os dias 18 e 20 de junho de 2026, por meio de entrevistas telefônicas com 2.000 eleitores distribuídos em todas as regiões do país. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-08944/2026.
O Instituto Opinião, que atua desde 2007 no segmento de pesquisas eleitorais, opinião pública e análise de cenários políticos, passou a se chamar Indexa Pesquisas. Segundo a empresa, o reposicionamento integra um processo de expansão e consolidação da marca, mantendo a mesma estrutura técnica, equipe e metodologia.