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Projeto propõe reconhecer esteticistas como profissionais da saúde

Texto prevê estágio supervisionado obrigatório e regras mais claras para procedimentos estéticos.

28/6/2026
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A Câmara dos Deputados recebeu o projeto de lei 3.268/2026, apresentado pela deputada Soraya Santos (PL-RJ) e outros parlamentares, que altera a regulamentação das profissões de esteticista, cosmetólogo e técnico em estética.

A proposta reconhece esses profissionais como integrantes da área da saúde, amplia e detalha suas atribuições e cria mecanismos para coibir restrições indevidas ao exercício da categoria.

Segundo a ementa, o objetivo é "assegurar condições adequadas de atuação profissional e coibir restrições indevidas ao exercício da profissão".

Setor de estética movimenta bilhões de reais por ano, segundo justificativa do projeto.Magnific

Reconhecimento como profissionais da saúde

Um dos principais pontos do projeto é a inclusão expressa dos esteticistas, cosmetólogos e técnicos em estética entre os profissionais da área da saúde, no âmbito de sua formação e atuação.

Atualmente, a legislação que regulamenta a profissão não traz essa definição de forma explícita.

Na justificativa, os autores argumentam que a medida busca aumentar a segurança jurídica do setor e reforçar a proteção à saúde dos usuários dos serviços estéticos.

Ampliação das atribuições

O texto também detalha competências dos profissionais da área.

Entre elas, autoriza a execução de procedimentos estéticos faciais, corporais e capilares utilizando produtos, técnicas e equipamentos registrados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Outra mudança prevê que esteticistas e cosmetólogos possam identificar, avaliar, selecionar e executar procedimentos estéticos com uso de eletrotermofototerapia e intradermoterapia para fins estéticos.

Além disso, a proposta reconhece atividades de auditoria, consultoria e assessoria relacionadas a insumos específicos da área de estética registrados na Anvisa.

Formação e exame de proficiência

O projeto estabelece que cursos técnicos e superiores de estética e cosmetologia deverão incluir estágio curricular supervisionado obrigatório equivalente a, no mínimo, 20% da carga horária total, enquanto não forem definidas diretrizes curriculares específicas pelo órgão competente.

A proposta também cria um exame de proficiência para graduados de outras áreas da saúde que desejem atuar como esteticistas e cosmetólogos.

O exame deverá avaliar conhecimentos teóricos e práticos necessários ao exercício da profissão e será coordenado pelo Poder Executivo federal, com participação dos órgãos responsáveis pelas políticas de educação e saúde.

Segundo os autores, a medida busca reduzir diferenças de formação existentes entre os cursos atualmente oferecidos e garantir qualificação adequada para o exercício da atividade.

Mudança na Lei de Abuso de Autoridade

Outro eixo do projeto é a tentativa de reduzir conflitos entre profissionais e órgãos fiscalizadores.

Para isso, a proposta altera a Lei de Abuso de Autoridade e tipifica como crime a aplicação de penalidades administrativas em manifesta desconformidade com os limites das atribuições do cargo ou função pública.

A pena prevista é de detenção de seis meses a dois anos, além de multa.

Na justificativa, os autores afirmam que profissionais do setor enfrentam "restrições indevidas ao exercício de suas atividades", incluindo interdições de estabelecimentos e apreensões de equipamentos baseadas em interpretações divergentes de normas infralegais.

Setor movimenta bilhões

De acordo com os parlamentares, o projeto foi construído a partir dos trabalhos da Subcomissão Especial sobre o Setor de Estética da Comissão de Trabalho da Câmara dos Deputados, que promoveu audiências públicas, reuniões técnicas e seminários regionais para discutir os desafios enfrentados pelo segmento.

Os autores argumentam que o setor ainda sofre com sobreposição de atribuições entre categorias profissionais, ausência de diretrizes claras e atuação fragmentada dos órgãos de fiscalização, fatores que geram insegurança jurídica para trabalhadores e empresas.

A justificativa destaca ainda a relevância econômica e social da atividade, apontando que o setor de estética movimenta bilhões de reais por ano e tem papel importante na geração de renda e inclusão produtiva, especialmente entre mulheres.

Próximos passos

O projeto ainda será distribuído às comissões temáticas da Câmara dos Deputados antes de seguir para votação.

Caso seja aprovado pela Câmara e pelo Senado, o texto entrará em vigor 60 dias após sua publicação.

Confira a proposta completa.

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