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Lula lança Desenrola para bons pagadores nesta segunda

Nova etapa do programa mira trabalhadores informais e consumidores que mantêm parcelas em dia, mas pagam juros elevados no crédito pessoal.

28/6/2026
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O presidente Lula lança nesta segunda-feira (29), no Palácio do Planalto, uma nova etapa do Desenrola Brasil voltada a consumidores que estão com as dívidas em dia. A iniciativa, chamada informalmente de Desenrola Adimplentes, busca aliviar o peso dos juros no orçamento de famílias que ainda não entraram na inadimplência, mas já comprometem parte relevante da renda com crédito caro.

A cerimônia está marcada para as 9h30 e deve contar com a presença do ministro da Fazenda, Dario Durigan. Segundo a Secretaria de Comunicação Social da Presidência, o anúncio reunirá medidas de incentivo à adimplência. Os detalhes finais do programa ainda não foram divulgados oficialmente.

Nova etapa do Desenrola será lançada por Lula e Dario Durigan, entre outros ministros, nsta segunda-feira no Palácio do Planalto.Washignton Costa/Ministério da Fazenda

Foco no bom pagador

A nova frente representa uma mudança de foco em relação às etapas anteriores do Desenrola, concentradas principalmente em pessoas com dívidas em atraso e nome negativado. Agora, a ideia da equipe econômica é atuar de forma preventiva: oferecer condições melhores para quem continua pagando, mas corre risco de se endividar ainda mais por causa dos juros altos.

A proposta também tenta responder a uma crítica recorrente de consumidores que mantêm as contas em dia, mas ficam fora dos programas tradicionais de renegociação. Com a nova etapa, o governo busca contemplar o chamado bom pagador.

Trabalhadores informais na mira

O público considerado prioritário são trabalhadores informais, que não têm renda fixa mensal nem vínculo formal de emprego. Para o governo, esse grupo costuma enfrentar condições mais duras no mercado de crédito, justamente por ter menos garantias a apresentar aos bancos.

Durigan já havia indicado, em maio, que o governo estudava uma rodada do Desenrola para adimplentes. Na ocasião, afirmou que o trabalhador informal é um dos que mais sofre com juros elevados porque não tem salário recorrente nem histórico regular de recebimento. A avaliação do Ministério da Fazenda é que esse perfil paga mais caro para acessar crédito pessoal.

Dívidas de até R$ 15 mil

A proposta em discussão deve alcançar trabalhadores sem vínculo CLT ou com o serviço público, com dívidas de até R$ 15 mil em operações de crédito pessoal sem consignação e com pelo menos cinco parcelas pagas em dia.

A expectativa é reduzir as taxas dessas operações para patamar inferior a 4% ao mês. Hoje, a média estaria em torno de 7% ao mês.

O governo, no entanto, ainda precisa confirmar oficialmente os critérios de adesão, os tipos de dívida incluídos, a taxa final, o prazo de pagamento e a forma de participação dos bancos. Esses pontos devem ser apresentados na cerimônia desta segunda.

Programa já atende inadimplentes

A nova etapa se soma ao Novo Desenrola Brasil, lançado em maio, que permite a renegociação de dívidas em atraso de famílias com renda de até cinco salários mínimos. No caso dessa modalidade, o programa prevê descontos de até 90%, taxa máxima de juros de 1,99% ao mês, prazo de até 48 meses e possibilidade de uso de parte do saldo do FGTS para amortizar ou quitar dívidas.

O Desenrola Famílias alcança débitos de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal contratados até 31 de janeiro de 2026, desde que estejam atrasados entre 91 dias e dois anos. A adesão é feita diretamente com bancos e instituições financeiras participantes.

Risco de endividamento

Com o Desenrola para adimplentes, o governo tenta responder a uma preocupação política e econômica: a percepção de que, mesmo com melhora em indicadores de emprego e renda, parte das famílias segue pressionada por dívidas e juros elevados.

A avaliação no Planalto é que o endividamento reduz a renda disponível, limita o consumo e dificulta que a recuperação econômica seja sentida no orçamento doméstico.

A aposta da equipe econômica é que a renegociação de dívidas caras, antes da negativação, ajude a evitar nova alta da inadimplência. O anúncio ocorre em meio ao esforço do governo para ampliar medidas de crédito, renda e reorganização financeira das famílias.

Além do Desenrola Famílias, o pacote lançado em maio incluiu ações para estudantes com dívidas do Fies, micro e pequenas empresas e produtores rurais.

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