Treze parlamentares que exercem mandato hoje no Congresso já eram deputados federais ou senadores em 1º de julho de 1994, quando o real começou a circular no país, há exatos 32 anos. O grupo reúne sete deputados e seis senadores que acompanharam, de dentro do Legislativo, o nascimento da moeda que derrubou a hiperinflação e marcou a sucessão presidencial daquele ano.
O levantamento considera apenas quem tinha mandato federal em curso na data de lançamento da moeda. Ficam fora, portanto, políticos que foram eleitos em outubro de 1994, mas só tomaram posse em 1995; parlamentares que ocupavam cargos estaduais ou municipais; e titulares ou suplentes que não constam como em exercício hoje nas listas oficiais do Congresso.
Dos 13 parlamentares atuais que já estavam no Congresso em 1994, 12 eram deputados federais naquele ano. O único senador era Esperidião Amin (PP-SC), eleito por Santa Catarina para o período de 1991 a 1998. Entre os senadores atuais, Chico Rodrigues, Flávio Arns, Jaques Wagner, Paulo Paim e Wellington Fagundes eram deputados federais em 1994.
O real passou pelo Congresso
A presença desses parlamentares no Congresso ajuda a mostrar que o Plano Real não foi apenas uma obra de economistas. Antes de chegar ao bolso dos brasileiros, a nova moeda passou por medidas provisórias, reedições, projetos de lei de conversão, comissões mistas, emendas e votações que deram base legal à URV e ao novo padrão monetário.
As votações centrais do Plano Real no Congresso não registram painel nominal individual nas fichas oficiais. Por isso, não é possível afirmar como cada deputado ou senador votou. Os registros indicam a aprovação das matérias e permitem identificar parlamentares que discursaram, apresentaram destaques ou participaram da comissão mista, mas não o voto individual de cada um.
O levantamento não significa que todos os 13 tenham votado em cada etapa do Plano Real. A tramitação passou por medidas provisórias, comissões mistas, reedições e votações nem sempre nominais. Outros nomes que ocupam espaço na política nacional hoje, como Ronaldo Caiado, Jair Bolsonaro, Geraldo Alckmin e Aldo Rebelo, também eram deputados federais na época.
Entre os partidos, PT e PCdoB estiveram entre as siglas que fizeram oposição mais clara ao plano durante a tramitação. Filiado à época ao PPR, Bolsonaro também criticou medidas do Plano Real em discursos na tribuna.
A primeira tentativa de transformar a URV em lei não avançou a tempo, e o governo precisou reeditar o texto. A segunda versão também foi reeditada. Só a terceira prosperou, em uma tramitação marcada por pressões, dúvidas sobre salários e contratos e 286 emendas apresentadas por deputados e senadores.
Na fase decisiva, a URV foi consolidada pela Lei 8.880, sancionada em maio de 1994. Na véspera da entrada da nova moeda em circulação, o governo editou a MP 542, que estabeleceu as regras de emissão e conversão do real. A consolidação definitiva viria no ano seguinte, com a Lei 9.069, de junho de 1995.
A lista mostra a permanência de uma geração política que atravessou a hiperinflação, a criação da URV, a estreia do real, os governos Fernando Henrique, Lula, Dilma, Temer, Bolsonaro e Lula novamente. Três décadas depois, parte dos parlamentares que viu o nascimento da moeda do plenário, dos gabinetes ou das comissões ainda participa das decisões econômicas e políticas do país.