A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (2) a quinta fase da Operação Unha e Carne, no Rio de Janeiro. A ação prendeu o pastor e empresário Márcio Poncio e teve como alvos de busca o ex-deputado federal Marco Antônio Cabral (Solidariedade), filho do ex-governador Sérgio Cabral, o contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, e o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar (União Brasil), ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio.
Autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a operação cumpriu três mandados de prisão preventiva e 14 de busca e apreensão na capital fluminense, na Baixada Fluminense e em São João de Meriti. O STF também determinou o sequestro de até R$ 22 milhões em bens e valores.
Lavagem de dinheiro
Segundo a PF, a nova fase aprofunda a apuração sobre indícios de lavagem de dinheiro atribuída à nova cúpula do jogo do bicho no Rio. A investigação também busca identificar possíveis ramificações do esquema junto a integrantes dos poderes Executivo e Legislativo do Estado.
A etapa foi aberta após a apreensão de listas em poder de um contraventor. De acordo com a Polícia Federal, os documentos reuniam registros de supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e contabilidade ligada à lavagem de capitais. O material será analisado para rastrear o fluxo do dinheiro e identificar eventuais beneficiários, intermediários e operadores.
Márcio Poncio é conhecido pela atuação religiosa, pela presença nas redes e pela trajetória empresarial ligada ao setor do tabaco. Ele se apresenta como "patriarca da família Poncio" e integrante da Igreja da Nuvem, mas também ficou associado ao apelido de "pastor do cigarro" por causa de seus negócios.
Nos últimos anos, ampliou sua projeção na internet ao expor a rotina da família, que inclui o cantor Saulo Poncio e a deputada estadual Sarah Poncio, além de usar seus perfis para comentar críticas e defender os familiares diante de mais de 500 mil seguidores. Na política, disputou uma vaga para a Câmara dos Deputados em 2022, mas não foi eleito.
Marco Antônio Cabral foi alvo de busca e apreensão. Advogado e ex-deputado federal, ele exerceu mandato entre 2015 e 2019, foi secretário estadual de Esporte, Lazer e Juventude no governo Luiz Fernando Pezão e hoje é pré-candidato a deputado estadual pelo Solidariedade.
Conexões com o poder público
Rodrigo Bacellar e Adilsinho já estavam presos, mas foram alvos de novas ordens judiciais. Bacellar, que presidiu a Alerj, já havia sido investigado em fases anteriores da Unha e Carne. Segundo a PF, a operação começou para apurar vazamentos de informações sigilosas sobre ações policiais contra o Comando Vermelho, o que teria comprometido investigações e favorecido integrantes da facção.
A Unha e Carne ocorre no contexto da ADPF das Favelas, processo no STF que trata da política de segurança pública no Rio e determinou maior atuação federal na investigação de organizações criminosas e de suas conexões com agentes públicos. Com a nova fase, a PF tenta avançar da suspeita inicial de vazamento de informações para a apuração de fluxos financeiros, pagamentos e relações entre crime organizado, contravenção e poder político.