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Relembre como era a política quando o Brasil foi pentacampeão

Conquista da Copa do Mundo aconteceu em meio à sucessão presidencial, ao avanço de Lula nas pesquisas e ao encerramento de oito anos de governo do PSDB.

5/7/2026
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No dia 30 de junho de 2002, milhões de brasileiros acordaram cedo para acompanhar a final da Copa do Mundo entre Brasil e Alemanha. Com dois gols de Ronaldo Fenômeno, a seleção comandada por Luiz Felipe Scolari venceu por 2 a 0 em Yokohama e conquistou o inédito pentacampeonato mundial, feito que permanece até hoje como a última conquista brasileira em Copas do Mundo.

Enquanto Cafu levantava a taça no Japão, Brasília vivia um dos períodos políticos mais importantes desde a redemocratização. O país entrava nos últimos seis meses do segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), encerrando oito anos de governo e se preparando para uma eleição presidencial que mudaria os rumos da política nacional.

Vitória sobre a Alemanha coincidiu com os últimos meses do governo Fernando Henrique Cardoso e antecedeu a eleição que levaria Lula ao Palácio do Planalto.Arte Congresso em Foco
  • FHC no fim do mandato

Fernando Henrique Cardoso havia sido reeleito em 1998 e não poderia disputar um terceiro mandato, já que a Constituição já permitia apenas uma reeleição consecutiva. Seu governo chegava ao fim após consolidar o Plano Real, aprovar reformas econômicas e promover um amplo programa de privatizações.

Ao mesmo tempo, enfrentava dificuldades econômicas provocadas pela desaceleração mundial, pelo aumento da dívida pública e pela instabilidade dos mercados internacionais. O candidato apoiado pelo governo era o então ministro da Saúde, José Serra (PSDB), que tentava dar continuidade ao projeto tucano iniciado em 1995.

Festa pelo título mundial dividiu espaço com a reta final do governo FHC e com a disputa eleitoral que encerraria oito anos de gestão do PSDB.Lula Marques/Folhapress | Arte Congresso em Foco
  • Lula liderava a disputa

A poucos meses da eleição de outubro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparecia como favorito nas pesquisas de intenção de voto. Era sua quarta tentativa de chegar à Presidência da República. Para reduzir a resistência do mercado financeiro, Lula lançou naquele ano a "Carta ao Povo Brasileiro", comprometendo-se com a responsabilidade fiscal e o respeito aos contratos.

Mesmo assim, investidores demonstravam preocupação com uma eventual vitória petista. O período ficou marcado pelo chamado "risco Lula", expressão utilizada para descrever a forte alta do risco-país, a desvalorização do real e o aumento da desconfiança dos mercados diante da possibilidade de mudança no comando do governo federal.

Em outubro daquele ano, Lula seria eleito presidente pela primeira vez, derrotando José Serra no segundo turno e encerrando oito anos de gestão do PSDB.

Enquanto o Brasil comemorava o título mundial, Lula liderava as pesquisas, enfrentava a desconfiança do mercado e se preparava para vencer sua quarta disputa presidencial.Jorge Araújo/Folhapress | Arte Congresso em Foco
  • Um Congresso bem diferente

A Câmara dos Deputados já tinha o mesmo tamanho de hoje: 513 parlamentares. O Senado também mantinha a composição atual, com três representantes por unidade da federação, totalizando 81 senadores. O que mudou foi a correlação de forças.

Em 2002, o Congresso ainda era marcado pelo peso dos partidos que sustentavam ou orbitavam o governo Fernando Henrique Cardoso. Na Câmara eleita em 1998, que estava em funcionamento quando o Brasil conquistou o penta, as maiores bancadas eram PFL, PSDB, PMDB, PPB e PT. O PFL, que depois virou DEM e se fundiu ao PSL para formar o União Brasil, tinha 105 deputados. O PSDB, partido do presidente da República, tinha 99. O PMDB vinha em seguida, com 83. O PT, que chegaria ao Planalto naquele mesmo ano, tinha 59 deputados.

Na eleição de outubro de 2002, já depois do penta, o desenho começou a mudar. O PT elegeu a maior bancada da Câmara, com 91 deputados, seguido por PFL, PMDB, PSDB e PPB.

  • Reformas e economia dominavam a pauta

A agenda legislativa da época era fortemente concentrada em temas econômicos. O Congresso discutia reformas tributária e previdenciária, medidas para garantir estabilidade fiscal, além de projetos voltados à modernização do Estado e ao ambiente de negócios.

O controle da inflação, o equilíbrio das contas públicas e a manutenção da confiança dos investidores ocupavam espaço constante nos discursos do governo e da oposição.

  • Um país sem redes sociais

A política também era feita de maneira muito diferente. Facebook, X (antigo Twitter), Instagram, TikTok e WhatsApp simplesmente não existiam. A comunicação entre políticos e eleitores dependia principalmente da televisão, do rádio, dos jornais impressos e do horário eleitoral gratuito.

As campanhas digitais ainda eram inexistentes. Smartphones levariam mais de cinco anos para se popularizar no Brasil, e as transmissões ao vivo pela internet estavam longe da realidade.

O Brasil que parou para ver Ronaldo

Apesar das disputas eleitorais, da tensão econômica e das incertezas sobre o futuro, o domingo de 30 de junho produziu um raro momento de consenso nacional.

A seleção encerrou a Copa com sete vitórias em sete partidas, 18 gols marcados e apenas quatro sofridos. Ronaldo terminou como artilheiro do torneio, com oito gols, enquanto Rivaldo e Ronaldinho Gaúcho completaram um dos ataques mais lembrados da história do futebol brasileiro.

Mais de duas décadas depois, o Brasil continua sendo o único pentacampeão mundial. Desde então, passaram pelo Palácio do Planalto cinco presidentes eleitos, o Congresso viveu sucessivas mudanças de composição e o país atravessou impeachments, operações anticorrupção, crises institucionais e uma pandemia. A taça levantada por Cafu, porém, permanece como a última lembrança de um título mundial da seleção brasileira.

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