Às vésperas do fim do primeiro semestre legislativo de 2026, o Congresso em Foco realizou um levantamento com base em dados oficiais da Câmara dos Deputados para identificar os 20 deputados em exercício que menos utilizaram a Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (Ceap). As informações consideram as despesas registradas entre janeiro e julho deste ano.
No período, os deputados federais utilizaram R$ 121.455.412,45 em cota parlamentar.
A verba é destinada ao custeio de despesas relacionadas ao exercício do mandato, como passagens aéreas, locação de veículos, manutenção de escritórios, combustíveis e divulgação da atividade parlamentar.
Entre os parlamentares em exercício, Glauber Braga (Psol-RJ) foi o deputado que menos recorreu à Ceap no primeiro semestre. Ele registrou R$ 161 em despesas, o equivalente a 0,21% da cota disponível no período.
Em seguida aparecem Santin Roveda (União Brasil-PR), com R$ 1.279,46, e João Carlos (Republicanos-AM), com R$ 2.324,88.
O levantamento tem caráter informativo e busca ampliar a transparência sobre o uso dos recursos públicos destinados ao exercício do mandato parlamentar. A utilização da cota é legal e prevista pelas regras da Câmara dos Deputados.
Os deputados que menos gastaram
Veja a lista completa abaixo. Ao lado do valor gasto, aparece a porcentagem que representa quanto do total da cota parlamentar disponível foi utilizada por cada deputado.
A comparação entre os parlamentares também precisa levar em conta que o limite da Ceap varia de acordo com o estado representado. Por isso, deputados com gastos maiores em valores absolutos podem aparecer com percentual de uso menor do que outros posicionados acima no ranking.
É o caso de Pastor Sargento Isidório (Avante-BA), que ocupa a sétima posição em valor gasto, mas utilizou 4,86% da cota disponível. Amom Mandel (Republicanos-AM), décimo colocado em gastos absolutos, usou 6,88% da verba. Já Raniery Paulino (Republicanos-PB), oitavo no ranking, utilizou 22,11% da cota.
Entre os 20 deputados listados, 17 utilizaram menos de 30% da cota parlamentar disponível no primeiro semestre.
Apenas Luiz Fernando Vampiro (MDB-SC), Josimar Maranhãozinho (PL-MA) e Detinha (PL-MA) ultrapassaram esse patamar. Mesmo assim, dois deles ficaram abaixo de 40% de utilização.
O que é a cota parlamentar
A Ceap é uma verba indenizatória usada para cobrir despesas do mandato parlamentar. Criada pelo Ato da Mesa nº 43, de 2009, unificou benefícios antes separados, como a antiga verba indenizatória, a cota de passagens aéreas e a cota postal e telefônica.
Entre os gastos permitidos estão passagens aéreas, aluguel de veículos, combustíveis, manutenção de escritórios, hospedagem, alimentação, consultorias, serviços postais e divulgação do mandato. Os valores podem ser reembolsados mediante notas fiscais ou pagos diretamente pela Câmara.
O limite mensal varia conforme o Estado representado, considerando principalmente a distância até Brasília. Estados mais distantes têm cotas maiores, enquanto o Distrito Federal possui o menor valor.
Os recursos não usados podem ser acumulados no mesmo ano, mas não passam para o seguinte. Também há prazo para solicitar reembolsos, o que pode alterar os dados posteriormente.
Como a verba foi utilizada
Entre os vinte deputados em exercício que menos utilizaram a cota parlamentar no primeiro semestre, os gastos se concentraram principalmente em combustíveis, passagens aéreas e locação de veículos. Em alguns casos, os parlamentares registraram despesas em apenas uma rubrica.
Glauber Braga (PSOL-RJ) registrou R$ 161 em despesas no primeiro semestre. Desse total, R$ 100 foram destinados à compra de combustíveis e R$ 61 a serviços de táxi, pedágio e estacionamento. Santin Roveda (União Brasil-PR) distribuiu os gastos entre alimentação do parlamentar (R$ 641,49), combustíveis (R$ 370,01) e serviços de táxi, pedágio e estacionamento (R$ 267,96).
João Carlos (Republicanos-AM) usou toda a cota registrada no semestre com passagens aéreas, no total de R$ 2.324,88. Inácio Arruda (PCdoB-CE) também teve as passagens como principal despesa, com R$ 4.434,63, além de gastos com combustíveis (R$ 1.538,59) e serviços de táxi, pedágio e estacionamento (R$ 144).
No caso de Glaycon Franco (PSDB-MG), a principal rubrica foi combustíveis, com R$ 4.586,56. O parlamentar também registrou despesas com manutenção de escritório de apoio (R$ 1.137,50) e passagens aéreas (R$ 648,85).
Raniery Paulino (Republicanos-PB) registrou R$ 25.222,07 em despesas no semestre, o equivalente a 22,11% da cota disponível. A principal rubrica do parlamentar foi combustíveis. Sandro Alex (PSD-PR) concentrou os gastos em aluguel de veículos, hospedagem, passagens aéreas, manutenção de escritório de apoio e combustíveis.
Marcos Braz (PSDB-RJ) concentrou a maior parte dos gastos em combustíveis (R$ 8.842,74), seguidos por passagens aéreas (R$ 2.499,16) e alimentação do parlamentar (R$ 99,92). Pastor Sargento Isidório (Avante-BA) teve como principal despesa as passagens aéreas, que somaram R$ 11.733, além de combustíveis (R$ 5.328,93).
Fechando o grupo dos dez primeiros, Amom Mandel (Republicanos-AM) registrou R$ 26.225,09 em despesas, o equivalente a 6,88% da cota disponível. A maior parte do valor foi destinada a passagens aéreas.
Amom é o único parlamentar que também figurava entre os vinte deputados que menos utilizaram a cota parlamentar no primeiro semestre de 2025. Na ocasião, ele liderou o ranking, com R$ 32.129,01 em despesas, o equivalente a 9,19% da cota disponível, e concentrou quase a totalidade dos gastos em passagens aéreas entre Manaus e Brasília.
A partir da 11ª posição aparecem Luiz Fernando Vampiro (MDB-SC), Adriana Ventura (Novo-SP), Silvio Costa Filho (Republicanos-PE), Alexandre Leite (União Brasil-SP), Aline Gurgel (União Brasil-AP), Marcio Alvino (PL-SP), André Fufuca (PP-MA), Marina Silva (Rede-SP), Josimar Maranhãozinho (PL-MA) e Detinha (PL-MA).
Embora estejam fora do grupo dos dez menores gastos, quase todos utilizaram menos de 40% da cota parlamentar disponível no período. A exceção é Luiz Fernando Vampiro, que gastou R$ 32.088,40, mas utilizou 65,58% do limite disponível.