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Após falas racistas, senadora acusa Mbappé de violência de gênero

Celeste Amarilla assumiu o teor discriminatório de sua fala, mas disse que o jogador francês também lhe deve desculpas.

7/7/2026
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A senadora paraguaia Celeste Amarilla voltou a gerar controvérsia ao comentar, em entrevista coletiva nesta terça-feira (7), as declarações consideradas racistas contra o atacante francês Kylian Mbappé. Apesar de reconhecer o teor discriminatório de sua fala, a parlamentar acusou o jogador de violência política de gênero e exigiu um pedido de desculpas.

"Não me subestime, Mbappé. Eu posso contratar um advogado e vão dizer que eu posso ganhar. Violência de gênero. Violência política contra a mulher. Isso sim é grave. Que me peça desculpas porque ainda tenho ação para isso", declarou a parlamentar.

No sábado (4), a senadora paraguaia disse que "em vez de leite materno, Mbappé tomava coco" e que "a coisa mais educada que ouviu foram chimpanzés". O jogador respondeu às ofensas na tarde de ontem, quando chamou Celeste de "mulher desprezível e indigna de sua função".

O episódio repercutiu entre políticos da França, e o Ministério das Relações Exteriores do Paraguai repudiou a fala. Celeste afirmou que, diante das proporções do comentário, daria entrevista coletiva no Senado. "Mbappé não me pediu desculpas e também não tenho por que me desculpar", disse a senadora.

Questionada diretamente sobre o conteúdo de sua publicação, a senadora reconheceu o erro, mas afirmou ter se retratado apenas de forma parcial. "Sim, é racismo e eu me retratei", disse, ao justificar que apagou a postagem.

Ela afirmou ainda que sua fala foi resultado de uma formação social marcada por preconceitos e declarou estar em processo de mudança. "Eu venho dessa sociedade, estou me reconstruindo", afirmou.

Apesar da admissão, Celeste manteve o tom ofensivo contra Mbappé durante a coletiva, questionando a legitimidade do jogador para criticá-la. "Quem é Mbappé para falar de mim?", disse, ao minimizar as críticas recebidas. A senadora também afirmou que o jogador "nem sabe onde fica o Paraguai".

Ronaldinho Gaúcho

Ao ser perguntada sobre o "recado" que enviaria ao jogador caso pudesse, Celeste pediu que, "se ele souber ler", que leia a carta aberta escrita por ela em espanhol e em francês.

Em tom crítico, Celeste mandou um recado para Mbappé e citou o ex-jogador brasileiro Ronaldinho Gaúcho. "Não mexa com os paraguaios, aqui já prendemos o Ronaldinho", declarou.

Carta aberta

Em suas redes sociais, a senadora compartilhou a carta aberta ao jogador. Celeste Amarilla afirma que o problema não é com a França, mas diretamente com Mbappé: "O problema é entre você e eu. Nunca disse nada contra a França, pelo contrário, eu a admiro".

Ela também relata sua relação pessoal com o país europeu, dizendo que estudou em um colégio francês e mantém admiração pela cultura. Apesar de dizer que se arrependeu, grande parte da carta é tomada por críticas ao jogador.

"Sua arrogância e seu desprezo me irritam muito desde antes da partida, quando você disse: 'se tiver que colocar as mãos na merda, vamos colocar, nós não somos estúpidos, entendemos perfeitamente que a 'merda era a equipe paraguaia e que a equipe paraguaia somos todos nós."

"E, por fim, você desrespeitou a saúde do nosso goleiro. Isso não se faz. O respeito entre rivais após uma partida é quase sagrado, tanto na guerra quanto na paz, na derrota como na vitória, e você não apertou a mão dele e gritou vitória na cara dele. Isso não se faz. Você mostrou seu desprezo, sua arrogância e sua má educação em um segundo. Isso me fez mal, fez mal a todo o meu país, e muito", continua.

Celeste disse ter agido com o "sangue quente". "Minhas publicações foram feitas com o sangue fervendo, esse sangue mestiço, bela mistura de sangue indígena com sangue espanhol que corre em minhas veias", justifica.

Veja a íntegra da carta:

Celeste Amarilla envia carta aberta a Kylian Mbappé.Reprodução/X | Arte Congresso em Foco

Celeste Amarilla envia carta aberta a Kylian Mbappé.Reprodução/X | Arte Congresso em Foco
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