A senadora paraguaia Celeste Amarilla voltou a gerar controvérsia ao comentar, em entrevista coletiva nesta terça-feira (7), as declarações consideradas racistas contra o atacante francês Kylian Mbappé. Apesar de reconhecer o teor discriminatório de sua fala, a parlamentar acusou o jogador de violência política de gênero e exigiu um pedido de desculpas.
"Não me subestime, Mbappé. Eu posso contratar um advogado e vão dizer que eu posso ganhar. Violência de gênero. Violência política contra a mulher. Isso sim é grave. Que me peça desculpas porque ainda tenho ação para isso", declarou a parlamentar.
No sábado (4), a senadora paraguaia disse que "em vez de leite materno, Mbappé tomava coco" e que "a coisa mais educada que ouviu foram chimpanzés". O jogador respondeu às ofensas na tarde de ontem, quando chamou Celeste de "mulher desprezível e indigna de sua função".
O episódio repercutiu entre políticos da França, e o Ministério das Relações Exteriores do Paraguai repudiou a fala. Celeste afirmou que, diante das proporções do comentário, daria entrevista coletiva no Senado. "Mbappé não me pediu desculpas e também não tenho por que me desculpar", disse a senadora.
Questionada diretamente sobre o conteúdo de sua publicação, a senadora reconheceu o erro, mas afirmou ter se retratado apenas de forma parcial. "Sim, é racismo e eu me retratei", disse, ao justificar que apagou a postagem.
Ela afirmou ainda que sua fala foi resultado de uma formação social marcada por preconceitos e declarou estar em processo de mudança. "Eu venho dessa sociedade, estou me reconstruindo", afirmou.
Apesar da admissão, Celeste manteve o tom ofensivo contra Mbappé durante a coletiva, questionando a legitimidade do jogador para criticá-la. "Quem é Mbappé para falar de mim?", disse, ao minimizar as críticas recebidas. A senadora também afirmou que o jogador "nem sabe onde fica o Paraguai".
Ronaldinho Gaúcho
Ao ser perguntada sobre o "recado" que enviaria ao jogador caso pudesse, Celeste pediu que, "se ele souber ler", que leia a carta aberta escrita por ela em espanhol e em francês.
Em tom crítico, Celeste mandou um recado para Mbappé e citou o ex-jogador brasileiro Ronaldinho Gaúcho. "Não mexa com os paraguaios, aqui já prendemos o Ronaldinho", declarou.
Carta aberta
Em suas redes sociais, a senadora compartilhou a carta aberta ao jogador. Celeste Amarilla afirma que o problema não é com a França, mas diretamente com Mbappé: "O problema é entre você e eu. Nunca disse nada contra a França, pelo contrário, eu a admiro".
Ela também relata sua relação pessoal com o país europeu, dizendo que estudou em um colégio francês e mantém admiração pela cultura. Apesar de dizer que se arrependeu, grande parte da carta é tomada por críticas ao jogador.
"Sua arrogância e seu desprezo me irritam muito desde antes da partida, quando você disse: 'se tiver que colocar as mãos na merda, vamos colocar, nós não somos estúpidos, entendemos perfeitamente que a 'merda era a equipe paraguaia e que a equipe paraguaia somos todos nós."
"E, por fim, você desrespeitou a saúde do nosso goleiro. Isso não se faz. O respeito entre rivais após uma partida é quase sagrado, tanto na guerra quanto na paz, na derrota como na vitória, e você não apertou a mão dele e gritou vitória na cara dele. Isso não se faz. Você mostrou seu desprezo, sua arrogância e sua má educação em um segundo. Isso me fez mal, fez mal a todo o meu país, e muito", continua.
Celeste disse ter agido com o "sangue quente". "Minhas publicações foram feitas com o sangue fervendo, esse sangue mestiço, bela mistura de sangue indígena com sangue espanhol que corre em minhas veias", justifica.
Veja a íntegra da carta: