A Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (8) a convocação do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, para prestar esclarecimentos sobre declarações que apontam a possibilidade de ações militares dos Estados Unidos em território brasileiro.
Na tarde de terça-feira (7), a comissão equivalente no Senado havia aprovado requerimento semelhante, mas em formato de convite. A convocação torna obrigatória a presença do chanceler.
A controvérsia teve início após resposta oficial do Ministério das Relações Exteriores à Câmara dos Deputados, enviada no último dia 1º de julho.
No documento, Mauro Vieira alertou que a decisão dos Estados Unidos de classificar facções brasileiras, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), como organizações terroristas poderia implicar em ações militares no Brasil.
O requerimento de convocação foi apresentado pelo deputado Evair Vieira de Melo (Republicanos-ES), que classificou a resposta do Itamaraty como "precária e frágil".
Durante a reunião, o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) tentou, em nome do governo, converter a convocação em convite, o que daria maior flexibilidade ao ministro para definir a data do comparecimento. A proposta incluía sugestões para os dias 10, 11 ou 14 de agosto, mas não houve acordo.
No documento enviado à Câmara, o Itamaraty também argumentou que a classificação das facções brasileiras como organizações terroristas não traria benefícios concretos para a cooperação entre Brasil e Estados Unidos no combate ao crime organizado.
A avaliação da diplomacia brasileira é que a medida pode gerar consequências jurídicas e políticas para cidadãos brasileiros e para a relação bilateral.
Pressão também no Senado
Na terça-feira (7), a Comissão de Relações Exteriores do Senado já havia aprovado um convite ao chanceler, por iniciativa do senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS).
Ao justificar o pedido, Mourão questionou a gravidade da declaração e pediu esclarecimentos sobre a base das informações apresentadas pelo ministro.
"Eu gostaria de ouvir de onde ele tirou dados para uma afirmação dessa gravidade", afirmou o senador. Mourão também citou episódios recentes de atuação internacional dos Estados Unidos, como ações na Venezuela e no Irã, para reforçar a preocupação com o tema.