Após o anúncio do governo dos Estados Unidos de impor tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva publicou nesta sexta-feira (17) uma mensagem nas redes sociais em defesa do Pix, sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central. Lula reiterou que a ferramenta não sofrerá alterações diante de pressões externas.
A declaração ocorre em meio a tensões comerciais e críticas internacionais envolvendo o modelo brasileiro de transferências digitais. No comunicado sobre as novas taxas, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) disse que determinadas medidas brasileiras relacionadas ao comércio digital e aos serviços de pagamento eletrônico representam barreiras ao comércio americano.
Na postagem, Lula foi direto ao afirmar que o país não abrirá mão do controle sobre o sistema. "Nossa soberania não se negocia. Ninguém vai mudar o nosso Pix", escreveu. A imagem compartilhada traz ainda a mensagem: "É público, é de graça e vai continuar assim", acompanhada da assinatura do presidente e da frase "O Pix é do Brasil".
Tarifaço
Washington afirma que políticas do Brasil prejudicam empresas e trabalhadores americanos em áreas como comércio digital, pagamentos eletrônicos, etanol, propriedade intelectual, combate à corrupção, tarifas preferenciais e desmatamento ilegal.
A medida foi adotada com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, disse que as negociações com o governo brasileiro não resolveram as divergências, embora os Estados Unidos mantenham abertura ao diálogo.
A investigação, realizada ao longo de um ano, recebeu mais de 360 manifestações e ouviu 77 testemunhas em audiências públicas.