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Crise com os EUA: 30% culpam Flávio e 28% apontam Lula, diz pesquisa

Donald Trump é o terceiro nome mais citado pelos entrevistados, enquanto a avaliação varia conforme região, renda e posicionamento político.

21/7/2026
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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) concentram, praticamente empatados, a responsabilidade atribuída pelos brasileiros à crise comercial entre Brasil e Estados Unidos.

Pesquisa nacional da Indexa, divulgada nesta terça-feira (21), mostra que 30% dos entrevistados consideram o parlamentar o principal responsável pelo agravamento das relações entre os dois países, enquanto 28% apontam o chefe do Executivo.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aparece em terceiro lugar, citado por 17% dos entrevistados. Outros 12% atribuem a responsabilidade igualmente aos três políticos, e 13% não souberam ou preferiram não responder. Os dados constam do bloco dedicado à crise comercial no levantamento.

A diferença de dois pontos percentuais entre Flávio e Lula está dentro da margem de erro da pesquisa, de 2,2 pontos percentuais. O levantamento ouviu 2 mil eleitores por telefone entre os dias 16 e 19 de julho, com nível de confiança de 95%.

Além de medir quem os brasileiros responsabilizam pela crise comercial, a pesquisa também avaliou a percepção sobre a atuação do governo nas negociações com os Estados Unidos.Montagem Congresso em Foco | Ricardo Stuckert / PR | Jefferson Rudy/Agência Senado

Polarização define culpados

Os resultados segmentados mostram que a percepção sobre a origem da crise é diretamente influenciada pelo posicionamento político dos entrevistados.

Entre os eleitores que se identificam como lulistas ou petistas, 61% responsabilizam Flávio Bolsonaro. O índice chega a 54% entre os entrevistados de esquerda que não se declaram lulistas ou petistas.

No campo oposto, 73% dos bolsonaristas atribuem a responsabilidade a Lula. Entre os eleitores de direita que não se consideram bolsonaristas, o presidente é apontado por 61%.

A divisão também se repete de acordo com o voto no segundo turno das eleições de 2022. Entre os eleitores de Jair Bolsonaro, 63% responsabilizam Lula e apenas 6% citam Flávio. Já entre os que votaram no atual presidente, 55% apontam o senador e somente 1% atribui a Lula a principal responsabilidade.

Trump recebe percentuais mais próximos entre os dois campos políticos. O presidente norte-americano é responsabilizado por 23% dos eleitores de Lula e por 12% dos que votaram em Bolsonaro em 2022.

Diferenças regionais

Flávio Bolsonaro é mais responsabilizado no Nordeste, onde alcança 33%, e no Sul, com 29%. Lula lidera a atribuição de responsabilidade no Centro-Oeste, com 35%; no Norte, com 32%; e no Sudeste, com 29%.

No Sul, os dois aparecem tecnicamente empatados: Flávio registra 29%, e Lula, 28%. Trump apresenta seu maior percentual no Nordeste, onde é citado por 20% dos entrevistados.

O recorte por gênero também revela diferenças. Entre as mulheres, Flávio é apontado como o principal responsável por 31%, diante de 22% para Lula. Entre os homens, o resultado se inverte: 35% culpam o presidente, e 27%, o senador.

Flávio também lidera entre os entrevistados com renda familiar de até dois salários mínimos, com 30%, contra 20% de Lula. O presidente aparece à frente nas faixas de dois a cinco salários mínimos, com 30%, e acima de cinco salários mínimos, com 36%.

Atuação de Lula tem avaliação dividida

A pesquisa também perguntou como os brasileiros avaliam as medidas tomadas por Lula diante da crise. Para 36%, o presidente tem atuado corretamente e defendido os interesses do Brasil. Outros 31% consideram sua atuação incorreta e afirmam que ele não tem defendido os interesses nacionais.

Dez por cento avaliam a atuação como nem correta nem incorreta, enquanto 23% não souberam responder. A diferença de cinco pontos entre as avaliações positiva e negativa supera a margem de erro geral, mas o alto índice de indecisos mostra que uma parcela relevante do eleitorado ainda não formou opinião sobre a condução do episódio.

Entre lulistas e petistas, 78% aprovam a atuação do presidente. Já entre os bolsonaristas, 61% consideram que Lula tem agido de forma incorreta. A avaliação positiva também é maior entre mulheres, com 39%, do que entre homens, com 34%. Entre o público masculino, a avaliação negativa chega a 37%.

No recorte regional, a atuação de Lula é considerada correta por 39% dos entrevistados no Nordeste, 38% no Sul e 36% no Sudeste. No Centro-Oeste, prevalece a avaliação negativa, registrada por 38% dos eleitores. No Norte, 33% não souberam ou preferiram não opinar.

Veja a íntegra da pesquisa.

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