O ex-governador de Goiás e pré-candidato ao Planalto pelo PSD, Ronaldo Caiado, protagonizou uma troca de farpas com o ex-deputado Eduardo Bolsonaro nas redes sociais nesta terça-feira (21). O embate começou após o presidenciável ironizar a decisão do governo americano de conceder ao filho "03" de Jair Bolsonaro o green card, visto permanente de residência nos Estados Unidos.
Sem citar nomes, o político goiano se referiu à estadia de Eduardo nos EUA como prática de "turismo".
"Green card, quem precisa é o produtor brasileiro para entrar no mercado americano sem pagar pedágio. Precisamos valorizar e fortalecer o agro do nosso país, defender a indústria e proteger os empregos do Brasil. Não é turismo, é sobre autoridade moral pra governar", escreveu Caiado em seu perfil no X.
Eduardo respondeu à publicação: "Green card quem precisa são os fazendeiros condenados no golpe da Disney, que o senhor não fala nada. É o preço que o senhor paga para participar dos coquetéis do STF e elite de Brasília?", questionou.
Na mesma resposta, o ex-deputado anexou capturas de tela de publicações sobre a concessão da cidadania honorária goiana aos ministros Gilmar Mendes, Flávio Dino e Dias Toffoli, do STF, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet.
"Dando cidadania goiana aos perseguidores o senhor deixa claro a quem atenderia caso chegasse à presidência. E ainda vem falar de 'autoridade moral' para governar o Brasil. Faça-me o favor...", completou.
Estadia nos EUA e green card
Eduardo Bolsonaro está nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025, quando viajou para acompanhar a posse do presidente Donald Trump. Desde então, permaneceu no país articulando, junto a autoridades americanas, a adoção de sanções contra integrantes do Judiciário brasileiro envolvidos no julgamento de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.
Na segunda-feira (20), Eduardo anunciou ter recebido do governo americano o green card. O documento, além de lhe garantir residência permanente no país, também o submete à jurisdição americana, argumento utilizado por aliados para sustentar que ele estaria protegido contra um eventual pedido de extradição.
A atuação de Eduardo nos Estados Unidos é frequentemente apontada por adversários como um dos fatores que contribuíram para a imposição de novas tarifas de importação americanas ao Brasil. Caiado está entre os críticos da iniciativa e chegou a declarar, durante evento com empresários, que, se eleito presidente, não teria dificuldades em punir o que classificou como "traidores da pátria".
Rival histórico do PT, Caiado busca ampliar seu espaço junto ao eleitorado de direita, apresentando-se como uma alternativa mais experiente e com perfil mais técnico em comparação ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado pelas pesquisas de intenção de voto como o principal nome do campo para a disputa presidencial.