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Lula diz que não quer briga com Trump e que Milei fez "patacoada"

Presidente afirmou que o Brasil não aceitará interferências externas nas eleições e defendeu que divergências internacionais sejam enfrentadas no campo político.

30/7/2026
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira (29) que não pretende entrar em confronto com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apesar das recentes tensões entre os dois governos.

Ao mesmo tempo, criticou o presidente da Argentina, Javier Milei, ao classificar como uma "patacoada" sua passagem pelo Brasil na última semana.

As declarações foram feitas durante a convenção nacional do PSB, em Brasília, que oficializou o vice-presidente Geraldo Alckmin como candidato à reeleição na chapa encabeçada por Lula.

Em discurso, o presidente afirmou que sua estratégia diante das críticas de líderes estrangeiros é evitar o confronto direto e responder no campo político.

"Eu não quero nem o Trump de inimigo. [...] O cara diz que tem os maiores navios do mundo, as maiores bombas atômicas do mundo. Eu quero brigar com ele? Eu só tenho vocês. Eu quero paz."

Segundo Lula, o embate deve ocorrer na disputa de versões sobre os fatos.

"Eu quero derrotá-los na narrativa. Quero fazer a guerra da narrativa: quem está falando a verdade e quem está falando a mentira."

Críticas a Milei

Lula também voltou a comentar a visita de Javier Milei ao Brasil, ocorrida na semana passada.

O presidente argentino participou da convenção nacional do Partido Liberal, que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República, e aproveitou o evento para fazer críticas ao governo brasileiro e ao Supremo Tribunal Federal.

Durante o discurso, Milei chamou Lula de "ladrão" e "presidiário", prestou solidariedade ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e declarou apoio à candidatura do senador.

As declarações provocaram reação do governo brasileiro.

O Itamaraty convocou o embaixador da Argentina em Brasília para prestar esclarecimentos sobre as falas, enquanto integrantes do governo, como o ministro da Fazenda em exercício, Dario Durigan, também criticaram o presidente argentino.

Ao comentar o episódio, Lula afirmou que optou por não responder aos ataques por considerar que sua relação com a Argentina deve ser conduzida no plano institucional.

"Vocês viram a patacoada que fez aqui o presidente da Argentina. Eu não falei nada porque a minha relação é uma relação de chefe de Estado com Estado."

Lula disse ainda que, apesar das críticas ao presidente argentino, não pretende ampliar a troca de ataques públicos e ressaltou o respeito pela população do país vizinho.

"Eu gosto do povo argentino e não vou ficar trocando coisa com aquela coisa."

Interferência nas eleições

Durante o discurso, Lula afirmou ainda que o governo brasileiro negou o visto de entrada a dois estrangeiros que, segundo ele, viriam ao país para "se intrometer nas eleições brasileiras". O presidente, no entanto, não informou quem seriam os jovens nem apresentou detalhes sobre a decisão.

Ao encerrar a fala, reforçou que não permitirá ingerências externas no processo eleitoral brasileiro.

"Enquanto eu for presidente, enquanto eu for vivo, ninguém de fora vai meter o bedelho na eleição brasileira."
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