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Lula diz que não usará cargo para proteger Lulinha em investigação

Presidente afirma acreditar na inocência do filho e que ele voltará da Espanha se for chamado pela Justiça. "Se for culpado, vai pagar."

31/7/2026
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O presidente Lula afirmou que não usará o cargo para proteger o filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, investigado pela Polícia Federal por suspeitas de corrupção e tráfico de influência. Em entrevista ao podcast Inteligência Ltda., disse que o empresário deverá responder como qualquer cidadão e pagar caso seja considerado culpado.

"Se meu filho for acusado de qualquer coisa, será tratado como filho de qualquer pessoa, como eu fui. Não haverá nenhum privilégio", declarou. Lula acrescentou que jamais pediria a um delegado ou juiz que deixasse de adotar as providências consideradas corretas.

O presidente disse acreditar na inocência do filho, mas ressaltou que integrantes de sua família não têm "direito de errar". Afirmou ainda que Lulinha, que vive na Espanha, retornará ao Brasil caso seja chamado pela Justiça. "Não vai ficar escondido, não. Não vou utilizar o meu cargo para proteger", afirmou. "Se for culpado, vai pagar o que todo mundo tem que pagar quando erra."

Lula também associou a morte de sua esposa Marisa Letícia, em 2017, ao impacto das acusações feitas contra ele durante a Operação Lava Jato. "Ele sabe que a minha mulher morreu por causa da desgraça da Lava Jato. Então, ele não tem o direito de errar. Ele sabe disso. Jura para mim todo dia, e eu acredito nele", disse.

Investigação

A manifestação ocorreu após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorizar a abertura de inquérito para apurar se Lulinha usou relações com o governo federal para favorecer negócios de cannabis medicinal no Ministério da Saúde. A investigação corre sob sigilo, e não há denúncia nem condenação contra o filho do presidente.

O caso envolve a empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, e Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS. Preso e investigado pelo esquema de descontos ilegais em benefícios previdenciários, o lobista também buscava atuar no mercado de cannabis medicinal por meio da empresa World Cannabis.

Empresas ligadas a Antunes transferiram R$ 1,5 milhão à consultoria de Roberta, em cinco parcelas de R$ 300 mil. Em uma mensagem, o lobista teria afirmado que uma das transferências seria destinada ao "filho do rapaz". A PF tenta esclarecer se a expressão se referia a Lulinha e se ele recebeu parte dos recursos.

Roberta sustenta que o dinheiro remunerou serviços de consultoria e nega ter repassado valores ao filho do presidente.

A defesa de Lulinha também nega irregularidades e critica a abertura de uma investigação separada. Os advogados afirmam que a apuração sobre as fraudes no INSS não encontrou provas da participação do empresário e classificam o novo inquérito como uma possível "pescaria probatória".

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