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Lula diz que não irá a debates "ouvir bobagem" nem "dar colher de chá"

Presidente afirma que os confrontos eleitorais devem priorizar propostas, e não ataques ou provocações.

31/7/2026
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que ainda não decidiu se participará dos debates da campanha presidencial de 2026 e condicionou sua presença ao nível das discussões entre os candidatos.

Segundo o petista, os encontros precisam contribuir para informar a população e não podem ser transformados em espaços para ataques pessoais, provocações ou declarações sem relevância para o eleitor.

A manifestação foi feita nesta quinta-feira (30), durante entrevista ao podcast Inteligência Ltda. Questionado sobre a possibilidade de ficar fora dos debates, Lula afirmou que analisará o formato, as regras e os participantes antes de confirmar sua presença.

"Eu, como presidente da República, não vou para debate ouvir bobagem. Não, claro que não. Não vou"

O presidente afirmou que ainda observa a configuração da disputa, incluindo a quantidade de candidaturas que estarão oficialmente registradas, e disse que pretende avaliar se os encontros terão condições de oferecer uma discussão política considerada produtiva.

"Eu quero saber qual é o nível do debate. Porque, se for para um debate e esse debate não sirva para informar a população e politizá-la, por que eu vou responder sacanagem? Por que eu vou fazer um debate com um cara que não tem compromisso com ninguém?"

Lula critica o nível dos debates

Ao defender que os debates tenham um nível elevado de discussão, Lula afirmou que não pretende participar de confrontos marcados por provocações ou ataques pessoais.

Durante a entrevista, o apresentador citou como exemplo o episódio da cadeirada em um debate da eleição municipal de São Paulo. Na sequência, o presidente respondeu:

"Por que eu vou responder sacanagem? Por que eu vou fazer um debate com um cara que não tem compromisso com ninguém?"

O petista também relatou o caso de um candidato a prefeito no Ceará que, segundo ele, adotou como mote de campanha vídeos sobre depilação íntima. Lula não mencionou o nome do político nem o município onde ocorreu a disputa, mas utilizou o episódio como exemplo do tipo de comportamento que considera incompatível com um debate presidencial.

"Você acha que eu vou para um debate com nível desse jeito? Eu não vou para um debate."

O presidente argumentou que os candidatos devem considerar a diversidade do público que acompanha os encontros pela televisão e pelas redes sociais. Para Lula, os debates precisam obedecer a regras firmes e preservar o respeito aos espectadores.

"Quem está assistindo a gente pode ser uma mulher, pode ser uma velha, pode ser um velhinho, pode ser uma criança. Todo mundo. Então, se você não tiver uma relação de respeito, por que eu vou me subordinar a isso?"

Participação não está descartada

Apesar das críticas ao formato dos debates, Lula afirmou que não descarta participar dos encontros durante a campanha. Segundo ele, a decisão dependerá do nível das discussões e da organização dos eventos.

"Você veja que eu nunca me recusei a ir para debate. Nunca me recusei. Lembre-se de grandes debates. Eu não vou me prestar a dar colher de chá para quem não merece. Não vou."

Embora tenha destacado seu histórico de participação em confrontos eleitorais, Lula já deixou de comparecer a alguns debates em campanhas anteriores.

Em 2022, faltou a um encontro promovido por um conjunto de veículos de imprensa, alegando conflito de agenda. Em 2006, quando buscava a reeleição, também não participou dos debates do primeiro turno e compareceu apenas aos realizados na etapa final da disputa.

A estratégia para 2026 ainda não foi oficialmente definida. O primeiro debate televisivo da campanha está previsto para agosto, e a presença do presidente deverá ser avaliada pela coordenação eleitoral do PT de acordo com o formato dos encontros e o cenário da disputa.

Eventual ausência gerou provocações

As declarações ocorrem uma semana após o pré-candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD) provocar Lula nas redes sociais. O ex-governador de Goiás relembrou o debate entre os dois na eleição de 1989 e sugeriu que o petista estaria evitando novos confrontos públicos.

"Coragem, Lula. Quem quer governar o Brasil não foge do confronto nem das próprias contas. Te espero lá."

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