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Paraguai entrega nota de repúdio ao Brasil por fala de Lula sobre guerra

Executivo paraguaio formalizou repúdio à fala de Lula e reforçou a cobrança pela devolução de bens levados no conflito.

31/7/2026
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O vice-presidente do Paraguai, Pedro Alliana, e o chanceler Rubén Ramírez Lezcano entregaram nesta sexta-feira (31) ao embaixador brasileiro em Assunção, José Antonio Marcondes, uma nota de repúdio às declarações do presidente Lula sobre a Guerra do Paraguai.

A fala ocorreu no dia 24, durante a cerimônia que marcou a retomada das atividades da Avibras. Na ocasião, o presidente citou o conflito iniciado em 1864 como exemplo da necessidade de investimentos permanentes do Brasil na área de defesa.

"A gente gosta de paz, mas a gente não pode se esquecer que um belo dia o Paraguai resolveu invadir o Brasil. Invadiu Corumbá, ao mesmo tempo invadiu o Uruguai, invadiu a Argentina. E aquela guerra que parecia que era nada durou cinco anos", disse Lula.

Brasil e Paraguai divergem historicamente sobre marco de início e responsabilidades do conflito.Governo do Paraguai/Divulgação

O pronunciamento foi criticado pelo Parlamento paraguaio, que aprovou uma moção de repúdio ao presidente brasileiro. O documento elaborado pelo Legislativo foi anexado à nota entregue pelo governo do Paraguai ao representante diplomático do Brasil.

O manifesto também reivindica a devolução dos chamados "troféus de guerra" levados pelo Exército Brasileiro durante o conflito. Entre eles está o canhão El Cristiano, fabricado durante a guerra com o bronze retirado de sinos de igrejas paraguaias.

Segundo o governo paraguaio, as declarações de Lula "apresentam uma visão distorcida de eventos históricos de singular relevância para o povo paraguaio e enfatizam que os eventos que marcaram profundamente a história de ambas as nações devem ser abordados com responsabilidade, respeito mútuo e espírito de reconciliação".

Apesar do protesto, Alliana ressaltou que Brasil e Paraguai são "países irmãos". O vice-presidente acrescentou que o episódio "deve se tornar uma experiência de aprendizado para construir um futuro de compreensão, prosperidade e cooperação" entre as duas nações.

Divergências históricas

A Guerra do Paraguai, também conhecida como Guerra da Tríplice Aliança, foi o maior conflito internacional da história da América do Sul. Travada entre 1864 e 1870, permanece como um dos episódios mais traumáticos da memória da população paraguaia.

A guerra deixou cerca de 100 mil brasileiros, 30 mil argentinos e 10 mil uruguaios mortos. Do lado paraguaio, estimativas apontam aproximadamente 300 mil mortes, com um impacto demográfico devastador, especialmente sobre a população masculina do país.

O confronto envolveu disputas políticas e territoriais pelo controle da Bacia do Rio da Prata. Historiadores brasileiros e paraguaios divergem sobre qual episódio deve ser considerado o início da guerra e sobre a responsabilidade de cada país pela escalada militar.

Para a linha tradicional da historiografia brasileira, o confronto começou em novembro de 1864, quando forças paraguaias capturaram o presidente da província de Mato Grosso e atacaram a província fronteiriça. Nessa interpretação, a responsabilidade inicial recai sobre o Paraguai, que dava início a uma política externa expansionista.

Na visão paraguaia, a guerra começou antes, em agosto de 1864, com a intervenção militar do Brasil no Uruguai. O governo paraguaio apoiava um dos grupos envolvidos na guerra civil uruguaia e considerou a entrada brasileira uma ameaça ao equilíbrio regional.

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