O candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), anunciou apoio a 47 candidatos ao Senado nas 27 unidades da Federação. A estratégia combina nomes do próprio partido com candidaturas de outras oito siglas e busca ampliar os palanques estaduais e formar uma bancada alinhada ao presidenciável no Congresso.
A lista foi apresentada nesta quinta-feira (6), durante transmissão ao vivo ao lado do coordenador-geral da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), e do deputado Guilherme Derrite (PP-SP), candidato ao Senado por São Paulo.
Entre os nomes anunciados estão o ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL), Michelle Bolsonaro (PL-DF), Deltan Dallagnol (Novo-PR), Marcel van Hattem (Novo-RS), Carlos Bolsonaro (PL-SC), Styvenson Valentim (Podemos-RN) e o próprio Derrite.
O movimento ocorre apesar de o PL não ter conseguido construir uma coligação nacional com outras legendas para a disputa pelo Palácio do Planalto.
A relação montada pela campanha inclui candidatos de PP, Republicanos, Podemos, União Brasil, PSD, PSDB, Novo, além dos integrantes do PL.
Apoios sem aliança nacional
Ao anunciar os nomes, Flávio sinalizou que pretende separar a falta de acordos partidários nacionais das negociações realizadas nos estados. As siglas contempladas na lista não formalizaram apoio à candidatura presidencial do PL, mas parte delas liberou seus diretórios para formar alianças regionais.
A estratégia difere do cenário enfrentado por Jair Bolsonaro na eleição de 2022. Naquele ano, PP e Republicanos deram apoio formal à candidatura do então presidente. Para 2026, as legendas não repetiram a aliança nacional.
Durante a transmissão, Flávio reconheceu que a ausência dos partidos na coligação presidencial terá impacto sobre o tempo de propaganda eleitoral.
"Para nós, era importante a questão do tempo de televisão e das inserções. Mas acho que, agora, podemos falar um pouquinho dos palanques estaduais, muitos deles em parceria com esses partidos."
Segundo o candidato, os nomes escolhidos têm convergência com pautas defendidas por sua campanha, entre elas segurança pública, redução de impostos e reformas econômicas. O objetivo declarado é aumentar a presença desse campo político no Senado para sustentar propostas de um eventual governo do PL.
Lira entra na lista; Ciro fica de fora
Um dos principais movimentos ocorreu em Alagoas. Flávio oficializou apoio ao ex-presidente da Câmara Arthur Lira, do PP, além de Marina Cândia, do PSDB.
O apoio a Lira ganhou espaço depois que o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) deixou a disputa pelo Senado para integrar, como vice, a chapa presidencial de Flávio. Gaspar foi anunciado para a vaga na quarta-feira (5).
A escolha também evidencia diferenças dentro do PP. Embora Lira tenha recebido o apoio do presidenciável, o presidente nacional da legenda, senador Ciro Nogueira, candidato à reeleição pelo Piauí, ficou fora da relação.
No estado de Ciro, Flávio declarou apoio a Thiago Junqueira, candidato do PL. O movimento ocorre depois das tentativas frustradas de construir uma aliança nacional entre o PL e o PP.
Confira a lista completa:
Senado como prioridade
A definição dos candidatos ocorre em uma eleição especialmente relevante para a composição do Congresso.
Em outubro, estarão em disputa 54 das 81 cadeiras do Senado, duas vagas por unidade da Federação.
A formação de uma bancada numerosa pode ser decisiva para qualquer presidente eleito. Além de votar projetos de lei, propostas de emenda à Constituição e medidas de interesse do Executivo, cabe ao Senado analisar indicações presidenciais para cargos como ministros do Supremo Tribunal Federal e dirigentes de órgãos de Estado.
A Casa também tem atribuições exclusivas em processos de impeachment de autoridades.
Flávio afirmou que pretende viajar pelo país nas próximas semanas para participar de eventos com os candidatos que receberam seu apoio e reforçar os palanques regionais. A campanha afirma ter conseguido estruturar 22 palanques estaduais.