O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), anunciou durante transmissão ao vivo na noite de quinta-feira (6) a retirada do apoio de seu partido à candidatura de Cleitinho (Republicanos) ao governo de Minas Gerais.
No lugar de Cleitinho, o PL entrará com nome próprio, lançando o empresário Flávio Roscoe, presidente licenciado da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais. Marinho e Flávio Bolsonaro ressaltaram que a decisão foi tomada diante da indefinição na parte de Cleitinho sobre a permanência na disputa ao Palácio da Liberdade.
"Tivemos uma preocupação muito grande de buscar uma aproximação inicialmente com o Cleitinho, que era o candidato que nós nos colocamos à disposição para apoiá-lo. Infelizmente, com essas idas e vindas junto ao partido dele, nós ficamos fragilizados. Nós não pudemos, com a responsabilidade que temos, deixar isso para ficarmos sem candidatura", relatou Rogério Marinho.
Flávio Bolsonaro acrescentou que o partido considerou arriscado demais apostar na retomada dos esforços de Cleitinho para viabilizar sua campanha. "Parece que o Cleitinho está ainda buscando alguma forma de se candidatar, mas aí é uma insegurança jurídica muito grande. A gente não podia correr o risco de ficar sem palanque".
O candidato ao Planalto lamentou o impasse, destacando que Cleitinho "é uma pessoa de bem" que "faz política com o coração de verdade, defende aquilo que acredita", e que a sigla aguardou 120 dias por uma resposta definitiva de sua parte. "Se for o caso, a gente se encontra no segundo turno", sugeriu Marinho.
Dilema no Republicanos
Desde o início do ano, o Republicanos trabalhava para lançar Cleitinho ao governo de Minas Gerais, com o senador liderando as pesquisas de intenção de voto. O parlamentar, porém, se ausentou da convenção estadual realizada no último dia 25, alegando que ainda enfrentava o luto pela morte do irmão, Matheus Azevedo, vítima de leucemia no dia 18.
Após a ausência no encontro, o Republicanos decidiu barrar seu nome. O presidente estadual da sigla, Euclydes Pettersen, e o presidente nacional, Marcos Pereira, avaliaram que o motivo da falta era legítimo, mas que ela produziu consequências políticas concretas e que, até então, o senador não havia demonstrado de forma consistente que pretendia seguir na corrida eleitoral.
Cleitinho tentou reverter a decisão e se reuniu por cinco horas com Marcos Pereira na sexta-feira (31), sem chegar a um entendimento. Na segunda-feira (3), ambos voltaram a conversar e, dessa vez, o congressista confirmou, sob lágrimas, que desistiria da disputa por ainda sofrer com o luto e precisar cuidar da saúde emocional.
No dia seguinte, porém, voltou atrás. Durante a convenção nacional do Republicanos, em Brasília, afirmou que havia se equivocado e pediu que seu nome fosse mantido. "Eu não vou decepcionar o partido, eu não vou decepcionar o senhor, presidente. Vou fazer de tudo para valorizar o partido, mas principalmente o povo mineiro", declarou.
O apelo foi rejeitado. "Não podemos ir para um processo eleitoral como esse, num partido que é sério e que cresceu em 20 anos, numa instabilidade. Eu seria irresponsável com o povo de Minas em colocar Minas nas mãos de uma pessoa que hora pensa uma coisa e cinco minutos depois pensa outra", disse Marcos Pereira a jornalistas.
Na quarta-feira, o diretório mineiro do Republicanos anunciou que o partido terá chapa própria registrada até o dia 15. Por outro lado, não foi informado o nome do candidato ou de seu vice, não ficando garantida a legenda para Cleitinho.