O senador Cleitinho (Republicanos-MG) confirmou, durante transmissão ao vivo nesta sexta-feira (7), o lançamento de sua candidatura ao governo de Minas Gerais.
Na gravação, feita junto a apoiadores na cidade de Divinópolis, seu irmão, o ex-prefeito Gleidson Azevedo, realiza uma ligação telefônica em viva-voz com o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira (SP), a quem pede que autorize a campanha. O dirigente deu aval ao lançamento da candidatura.
Pré-candidato à Câmara dos Deputados, Gleidson acompanhou a articulação de Cleitinho para recuperar a candidatura após esta ter sido negada no fim de julho. "Eu tô desde segunda-feira sem dormir. Hoje eu fiz a caminhada. Assei. Ele me fez andar de avião, que eu nunca andei na minha vida. Eu quase mijei dentro daquele avião. Eu tô de jejum", relatou ao questionar se o irmão poderia disputar.
Veja o momento:
Ao receber o aval de Marcos Pereira, Cleitinho ressaltou que, se eleito, governará "para todos". "É para todos que estão vivendo aqui dentro de Minas Gerais. Eu vou governar para todos. Teremos o governo mais humano possível. Terá erros e terá acertos. Mas não terá corrupção", declarou.
O candidato também antecipou que vai "orar para cada concorrente", sem atacá-los durante pronunciamentos. "Eu não vou fazer uma campanha baixa, de atacar. Vamos mostrar propostas que vão mudar a Minas Gerais.O que tiver bom do governo atual, a gente vai continuar, que a gente tem humildade para ouvir e melhorar. O que precisa corrigir, a gente vai corrigir".
Em nota, a executiva nacional do Republicanos confirmou a autorização. "A decisão está tomada. O Republicanos terá candidato próprio ao Governo de Minas Gerais, e Cleitinho Azevedo assume, a partir de agora, a responsabilidade de honrar os compromissos firmados com o partido, seus candidatos, seus aliados e, principalmente, com o povo mineiro. O episódio está encerrado. O momento agora é de olhar para frente e trabalhar por Minas Gerais".
Dilema no Republicanos
Desde o início do ano, o Republicanos trabalhava para lançar Cleitinho ao governo de Minas Gerais, com o senador liderando as pesquisas de intenção de voto. O parlamentar, porém, se ausentou da convenção estadual realizada no último dia 25, alegando que ainda enfrentava o luto pela morte do irmão, Matheus Azevedo, vítima de leucemia no dia 18.
Após a ausência no encontro, o Republicanos decidiu barrar seu nome. O presidente estadual da sigla, Euclydes Pettersen, e o presidente nacional, Marcos Pereira, avaliaram que o motivo da falta era legítimo, mas que ela produziu consequências políticas concretas e que, até então, o senador não havia demonstrado de forma consistente que pretendia seguir na corrida eleitoral.
Cleitinho tentou reverter a decisão e se reuniu por cinco horas com Marcos Pereira na sexta-feira (31), sem chegar a um entendimento. Na segunda-feira (3), ambos voltaram a conversar e, dessa vez, o congressista confirmou, sob lágrimas, que desistiria da disputa por ainda sofrer com o luto e precisar cuidar da saúde emocional.
No dia seguinte, porém, voltou atrás. Durante a convenção nacional do Republicanos, em Brasília, afirmou que havia se equivocado e pediu que seu nome fosse mantido. "Eu não vou decepcionar o partido, eu não vou decepcionar o senhor, presidente. Vou fazer de tudo para valorizar o partido, mas principalmente o povo mineiro", declarou.
O apelo foi rejeitado. "Não podemos ir para um processo eleitoral como esse, num partido que é sério e que cresceu em 20 anos, numa instabilidade. Eu seria irresponsável com o povo de Minas em colocar Minas nas mãos de uma pessoa que hora pensa uma coisa e cinco minutos depois pensa outra", disse Marcos Pereira a jornalistas.
Na quarta-feira, o diretório mineiro do Republicanos anunciou que o partido terá chapa própria registrada até o dia 15. Por outro lado, não foi informado naquele momento o nome do candidato ou de seu vice. No dia seguinte, o PL, que até então apoiava a permanência de Cleitinho na disputa, desfez a aliança e lançou Flávio Roscoe em seu lugar.