A neutralidade adotada por duas das principais forças do Centrão não se reproduziu nos Estados. Levantamento do Congresso em Foco mostra que Flávio Bolsonaro (PL) conquistou mais espaço que Lula (PT) entre lideranças e palanques estaduais da Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, e do Republicanos.
Flávio tem apoio ou alinhamento de setores da União-PP em 14 Estados, ante quatro de Lula e cinco de Ronaldo Caiado (PSD). No Republicanos, o senador aparece como favorito do partido em 13 Estados, contra cinco de Lula e um de Caiado. Em oito unidades da Federação, a legenda segue sem definição identificada.
Os números não representam necessariamente apoio formal dos diretórios. O levantamento considera declarações explícitas de apoio presidencial, posicionamentos das principais lideranças estaduais e a composição dos palanques locais. Quando há posições diferentes dentro da própria União-PP, foram registrados os dois candidatos. Por isso, as classificações da federação não somam necessariamente 27.
Há sobreposições na Bahia, Rondônia e Santa Catarina, onde setores da União-PP estão divididos entre Flávio e Caiado. Em Sergipe, a divisão ocorre dentro da própria federação: lideranças do União Brasil estão com Lula e do PP, com Flávio.
Nacionalmente, as duas forças tomaram outro caminho. O Republicanos decidiu não apoiar nenhum presidenciável, enquanto a União Progressista liberou seus integrantes para escolher nos Estados o candidato que melhor se ajuste às alianças locais.
A divisão chega à cúpula do Republicanos. O presidente da Câmara, Hugo Motta (PB), anunciou apoio a Lula: "Aqui na Paraíba, já havia sido dito antes, caminhamos com o presidente Lula". Já o presidente nacional do partido, Marcos Pereira, escolheu Flávio, a quem chamou de "meu candidato".
A reportagem considerou declarações explícitas de apoio presidencial de diretórios e lideranças estaduais, além da composição dos principais palanques locais. Quando foram identificadas posições diferentes dentro da mesma federação, os dois candidatos foram registrados. A classificação indica alinhamento político identificado, e não necessariamente apoio formal de todo o partido. Levantamento atualizado em 11 de agosto.
Republicanos: vantagem de Flávio e divisão na cúpula
A vantagem de Flávio já aparecia antes da convenção nacional. Segundo Marcos Pereira, na consulta feita aos diretórios, 17 defenderam a neutralidade, nove o apoio a Flávio e apenas um a Lula. A maioria levou o partido a adotar a neutralidade.
Com os Estados liberados, novas posições foram explicitadas. Pelo levantamento do Congresso em Foco, Flávio aparece agora em 13 Estados, Lula em cinco e Caiado em Goiás.
A divisão entre os principais nomes do partido traduz esse quadro. Além de Marcos Pereira, Flávio conta com o governador paulista Tarcísio de Freitas, que prometeu apoio "incondicional" ao candidato do PL. Do outro lado, Hugo Motta levou o Republicanos da Paraíba para o campo de Lula. Em Pernambuco, o diretório estadual, presidido pelo ex-ministro Silvio Costa Filho, também declarou apoio ao petista.
Assim, o presidente nacional do Republicanos está com Flávio e o presidente da Câmara, com Lula; oficialmente, o partido não está com nenhum dos dois.
União-PP: Flávio aparece em 14 Estados
Na União Progressista, Flávio também ocupa mais espaços. O levantamento identifica apoio ou alinhamento de setores da federação com o candidato do PL em 14 Estados, contra quatro de Lula e cinco de Caiado.
A fotografia estadual é mais complexa porque União Brasil e PP, embora integrem a mesma federação, mantêm lideranças com preferências presidenciais distintas. A própria direção nacional reconheceu essas diferenças ao optar pela neutralidade e liberar os apoios regionais.
Sergipe é o exemplo mais claro. União Brasil e PP estão juntos na disputa estadual, mas suas principais lideranças seguem candidatos diferentes à Presidência: André Moura, do União, integra o grupo do governador Fábio Mitidieri (PSD), alinhado a Lula, enquanto o senador Laércio Oliveira, presidente estadual do PP, declarou apoio a Flávio.
Caiado, cuja candidatura à Presidência foi oficializada pelo PSD em julho, também ocupa espaços nesse mapa. Aparece sozinho no campo da União-PP em Goiás, sua terra natal, e no Paraná e divide espaço com Flávio na Bahia, em Rondônia e em Santa Catarina. No Republicanos, está presente em Goiás, Estado que governou por dois mandatos até o fim de março deste ano.