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Filiação de Flávio ao Missão registrou "rua dos bandidos" e número 666

Cadastro usou dados falsos, contatos do gabinete no Senado e registrou tentativa de doação eleitoral de R$ 4,7 mil.

13/8/2026
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O partido Missão publicou nesta quinta-feira (13) o relatório técnico de sua equipe de tecnologia sobre a filiação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à legenda, realizada por autor ainda não identificado. No documento, o congressista foi registrado com dados genéricos e endereço na "Rua Dos Bandidos, nº 666".

Conforme a ficha de filiação protocolada junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o endereço fictício atribuído a Flávio fica no "Bairro Miliciano, Rio de Janeiro", associado a um CEP inexistente, "o que reforça a hipótese de dado fictício fornecido por quem realizou o cadastro", conforme apontam os responsáveis pelo relatório.

Também foi utilizado um CPF genérico para o senador, de número 123.456.789-09, além de um título eleitoral que não corresponde ao do parlamentar. Para o partido, o código falso "é indício de que o nome foi utilizado indevidamente por terceiro".

Falsa filiação obstruiu candidatura de Flávio Bolsonaro no TSE como candidato ao Planalto.Jefferson Rudy/Agência Senado

Nos demais campos exigidos para o registro partidário, o autor utilizou informações de contato do gabinete de Flávio no Senado. Segundo o partido, a filiação foi realizada no dia 2 deste mês, uma semana após a convenção nacional do PL, quando Flávio foi confirmado internamente como candidato à presidência da República.

O autor da falsa filiação também tentou inserir uma doação eleitoral em nome do senador, no valor de R$ 4,7 mil. Foram feitas duas tentativas de pagamento via Pix, ambas bloqueadas pelo sistema de segurança. Como o pagamento não foi concluído, a modalidade da filiação de Flávio ficou registrada como "sem contribuição".

Entenda o caso

A irregularidade veio à tona nesta quinta-feira (13), quando a campanha de Flávio tentou registrar sua candidatura ao Planalto e constatou que ele aparecia no sistema da Justiça Eleitoral como filiado ao Missão, partido do também presidenciável Renan Santos A inconsistência impediu a conclusão do pedido de registro pelo PL.

Inicialmente, integrantes da campanha levantaram a hipótese de invasão ao sistema, mas o TSE descartou ataque hacker. Segundo a Corte, a filiação foi realizada por meio do uso indevido da ferramenta partidária por alguém que possuía credenciais do Missão.

O presidente do tribunal, ministro Nunes Marques, encaminhou o caso à Procuradoria-Geral Eleitoral e determinou a abertura de inquérito pela Polícia Judiciária. Horas depois, Nunes Marques determinou o restabelecimento imediato da filiação de Flávio ao PL, considerada contínua desde 30 de novembro de 2021, e ordenou a exclusão do vínculo com o Missão.

A decisão também liberou o Sistema de Candidaturas para que o PL prosseguisse com o registro da chapa presidencial e determinou a preservação dos registros de acesso e o encaminhamento do caso à Polícia Federal para investigação.

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