A disputa pelo governo do Rio de Janeiro nas eleições de 2026 terá nove candidatos e ocorre em um cenário político diferente daquele encontrado pelos eleitores quatro anos atrás.
O governador eleito Cláudio Castro (PL) deixou o cargo em março e foi declarado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Eduardo Paes (PSD) lidera as pesquisas, enquanto Douglas Ruas (PL) e Garotinho (Republicanos) aparecem como seus adversários mais próximos nos levantamentos recentes.
A pesquisa Genial/Quaest divulgada no fim de julho colocou Paes com 38% das intenções de voto, contra 10% de Garotinho e 10% de Douglas Ruas. William Siri (Psol) apareceu com 2% e André Marinho (Novo), com 1%, naquele cenário.
Veja a lista completa de candidatos:
Histórico conturbado
A eleição fluminense ocorre depois de uma turbulenta sucessão no governo estadual. Cláudio Castro renunciou em 23 de março de 2026, inicialmente com a intenção de deixar o Executivo para disputar uma vaga no Senado. A saída ocorreu um dia antes da retomada, pelo TSE, do julgamento relacionado às eleições de 2022.
A sucessão se tornou ainda mais complexa porque o vice-governador Thiago Pampolha havia deixado o cargo em 2025 para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado. Já Rodrigo Bacellar, então presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), estava afastado e posteriormente teve o diploma de deputado estadual cassado pelo TSE.
Diante da dupla vacância e das controvérsias sobre a forma de escolha do sucessor, o presidente do Tribunal de Justiça, Ricardo Couto, assumiu interinamente o Executivo. O Supremo passou então a discutir se deveria ocorrer uma eleição direta ou indireta para o mandato-tampão. Enquanto não houver uma decisão definitiva, Couto permanece no Palácio Guanabara.
O cargo de Rodrigo Bacellar na presidência da Alerj foi assumido por Douglas Ruas, que agora busca o cargo de governador. Ex-prefeito da cidade do Rio de Janeiro, Eduardo Paes deixou o comando municipal para disputar novamente o governo. Ele já havia concorrido ao Palácio Guanabara em 2018, quando foi derrotado por Wilson Witzel no segundo turno.
Outro nome conhecido da política fluminense é Anthony Garotinho, que busca retornar ao governo que comandou entre 1999 e 2002. A defesa sustenta que ele já cumpriu uma pena de oito anos de suspensão dos direitos políticos decorrente de condenação por improbidade administrativa. Cabe à Justiça Eleitoral decidir sobre o registro da candidatura.
Eleitorado
A escolha do próximo governador será feita por um eleitorado de mais de 12,8 milhões de pessoas, segundo dados consolidados pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro. O Estado responde por aproximadamente 8,1% de todo o eleitorado brasileiro e possui o terceiro maior colégio eleitoral do país.
A distribuição desse eleitorado torna a campanha geograficamente complexa. A capital concentra milhões de votos, mas a Baixada Fluminense, São Gonçalo, Niterói, a Região dos Lagos, o Norte Fluminense, a Região Serrana, o Sul Fluminense e demais municípios do interior podem ser decisivos para a formação de uma maioria estadual.