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Disputa no Ceará opõe Ciro Gomes a Elmano em meio a alianças inéditas

Ex-governador rompe antigas alianças, aproxima-se de partidos da direita e volta à disputa pelo governo mais de três décadas depois, liderando as pesquisas contra o atual governador petista.

20/8/2026
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Mais de três décadas depois de governar o Ceará, Ciro Gomes (PSDB) voltou a disputar o Palácio da Abolição. Após construir boa parte da carreira no cenário nacional e concorrer quatro vezes à Presidência, o ex-governador retorna como principal adversário de Elmano de Freitas (PT), candidato à reeleição com apoio do presidente Lula.

Ciro começa a campanha em vantagem. Datafolha divulgado em 13 de agosto mostrou o tucano com 52% das intenções de voto, contra 33% de Elmano. Em eventual segundo turno, os dois aparecem com 55% e 37%, respectivamente. As demais candidaturas aparecem com percentuais baixos.

Elmano, porém, já viveu situação semelhante. Em 2022, começou atrás nas pesquisas, cresceu durante a campanha e acabou eleito no primeiro turno. Desa vez, enfrenta um adversário de alta projeção: Ciro governou o Ceará entre 1991 e 1994 e depois foi ministro, deputado federal e candidato à Presidência em 1998, 2002, 2018 e 2022.

Aliança com PL provocou atrito na família Bolsonaro

O retorno de Ciro também produziu uma composição improvável. Sua aliança reúne partidos como União Brasil, PP e PL. O apoio da legenda de Jair e Flávio Bolsonaro a um crítico histórico do bolsonarismo provocou uma crise interna. Michelle Bolsonaro se colocou contra a composição, enquanto Flávio respaldou o grupo do deputado André Fernandes (PL-CE), defensor da aliança com Ciro como estratégia para derrotar o PT.

A divergência ganhou repercussão nacional, mas o PL manteve o apoio a Ciro e abriu mão de candidatura própria ao governo. Michelle e Flávio anunciaram reconciliação, mas a ex-primeira-dama reiterou sua contrariedade com a aliança de seu partido no Ceará.

A composição ilustra a reorganização das forças políticas no Estado: Ciro, que já esteve próximo do PT e foi adversário do bolsonarismo, recebe agora apoio de parte da direita para enfrentar um governador petista.

A divisão chega também à família Gomes. Cid Gomes (PSB), irmão de Ciro e também ex-governador, está no campo de Elmano e disputa o Senado na chapa governista. Elmano conta ainda com Lula e Camilo Santana, seu antecessor e uma das principais lideranças do PT no Ceará. A eleição combina, assim, alianças pouco usuais: Ciro apoiado por partidos da direita, Cid no palanque petista e Lula tentando ajudar Elmano a reduzir a vantagem do tucano.

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