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Ruptura no grupo de Flávio Dino e Carlos Brandão marca disputa no MA

Orleans Brandão e Felipe Camarão disputam o espólio político da antiga aliança, enquanto Eduardo Braide tenta se consolidar como alternativa ao racha.

20/8/2026
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A ruptura entre antigos aliados ajuda a explicar a disputa pelo governo do Maranhão. De um lado está Orleans Brandão (MDB), sobrinho e candidato apoiado pelo governador Carlos Brandão. De outro, Felipe Camarão (PT), vice-governador que rompeu com o chefe do Executivo e associa sua candidatura ao legado de Flávio Dino, que comandou o Estado por dois mandatos. Fora dessa divisão, Eduardo Braide (PSD), ex-prefeito de São Luís, tenta se apresentar como alternativa. O Maranhão tem oito candidatos registrados.

O cenário resulta da fragmentação do grupo que comandou o Estado nos últimos anos. Carlos Brandão foi vice de Dino, assumiu o governo em 2022 e foi reeleito naquele ano tendo Camarão como vice. A aliança se desfez na sucessão de 2026 e colocou antigos aliados em palanques adversários.

Crise política

O racha ganhou também uma dimensão judicial. Investigações que tramitam no Supremo Tribunal Federal alcançam integrantes e aliados do grupo de Brandão e passaram a alimentar a disputa política no Estado. Em uma delas, relatada por Flávio Dino, a Polícia Federal apura suspeitas de corrupção, obstrução da Justiça e fatos ligados ao assassinato de um empresário em 2022; Daniel Brandão, sobrinho do governador e presidente do Tribunal de Contas do Estado, foi afastado cautelarmente.

Em outra frente, sob relatoria de Alexandre de Moraes, o ex-secretário de Segurança Raimundo Cutrim e o jornalista Luís Pablo foram alvos de medidas, em momentos distintos, relacionadas à investigação de um suposto monitoramento de Dino e de familiares. Os citados negam irregularidades.

Sucessão estadual

Carlos Brandão escolheu o sobrinho Orleans, ex-secretário de Assuntos Municipalistas, para disputar sua sucessão. Aos 31 anos, ele enfrenta sua primeira disputa por um cargo majoritário e apresenta a continuidade da atual gestão como um dos eixos da campanha.

Braide chega por outro caminho. Reeleito prefeito de São Luís em 2024, deixou o comando da capital para concorrer ao governo. Ex-deputado estadual e federal, tenta ampliar para o interior a força política construída na maior cidade do Maranhão.

As pesquisas recentes apresentam resultados diferentes. Levantamento Veritás realizado em agosto colocou Orleans à frente de Braide, enquanto outros estudos registraram vantagem para o ex-prefeito. A divergência entre os institutos reforça um cenário ainda aberto.

Lula encontra uma base dividida

A disputa maranhense também não reproduz uma divisão simples entre governo federal e oposição. Camarão é o candidato do PT e busca associar sua campanha a Lula. Orleans, embora esteja no campo adversário estadual, também declara apoio ao presidente.

O principal conflito local está, portanto, dentro de uma aliança que permaneceu unida por anos. Orleans reivindica a continuidade da gestão Brandão; Camarão busca reconectar sua candidatura ao legado de Dino; e Braide tenta aproveitar a divisão para consolidar um caminho próprio.

Sem apoio entre os candidatos que despontam nas pesquisas, o senador Flávio Bolsonaro apoia a candidatura do ex-senador Roberto Rocha (PRTB) ao governo do Maranhão.

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