O empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), acionou a Justiça contra o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) por um vídeo produzido com inteligência artificial que o associa às fraudes contra aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
A ação, apresentada à Justiça de São Paulo, pede a retirada da publicação das redes sociais de Flávio e indenização de R$ 10 mil por danos morais. A defesa também quer impedir uma nova divulgação do conteúdo caso seja mantida a associação de Lulinha à participação direta nas fraudes.
Publicado nas redes sociais de Flávio, o vídeo "Missão: Localizar Lulinha" mostra o senador, por meio de inteligência artificial, pilotando uma aeronave em uma operação para encontrar o filho do presidente, identificado como um "alvo".
A peça afirma que Lulinha seria "suspeito de ter roubado milhões de idosos no Brasil". Ao final, uma representação criada por IA mostra o empresário jogando videogame, de chinelos e rindo.
A defesa sustenta que a publicação atribui a Lulinha participação direta em crimes relacionados aos descontos indevidos do INSS sem que exista, segundo os advogados, investigação ou acusação nesse sentido. Para eles, o tom humorístico e o uso de inteligência artificial não afastam o caráter difamatório da mensagem.
Ação contra Zema
Lulinha também apresentou ação contra o candidato à Presidência Romeu Zema (Novo) por publicações que, segundo sua defesa, relacionam sua imagem a esquemas ilícitos e práticas criminosas.
O processo questiona os vídeos "Os Intocáveis" e "A casa caiu", que utilizam animações, montagens e outros recursos audiovisuais. Os advogados afirmam que as peças criam cenas e situações envolvendo o empresário que não ocorreram.
Também nesse caso, Lulinha pediu a retirada das publicações e indenização de R$ 10 mil.
A Justiça negou, em análise inicial, o pedido de remoção do conteúdo de Zema. O entendimento foi de que a publicação aparenta estar inserida no contexto de sátira e crítica política e que, naquele momento, não havia elementos suficientes para determinar sua retirada.
Investigações
Lulinha é investigado em inquéritos que apuram suspeitas de tráfico de influência.
As apurações envolvem, entre outros pontos, a relação do empresário com a lobista Roberta Luchsinger, que manteve contatos com Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS" e investigado no esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões.
A defesa afirma que essas relações são objeto de apuração, mas não significam que Lulinha seja investigado como participante dos descontos fraudulentos contra beneficiários do INSS.