Notícias

Lula e Trump discutem tarifas e combinam nova rodada de negociações

Presidente brasileiro contestou as justificativas dos EUA para as sobretaxas, e Trump propôs que equipes dos dois países voltem a se reunir. Conversa por telefone de 1h20 também abordou facções criminosas, Ucrânia e Irã.

21/8/2026
Publicidade
Expandir publicidade

O presidente Lula telefonou nesta sexta-feira (21) para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em meio a uma nova fase de tensão comercial entre os dois países. A conversa durou uma hora e 20 minutos e, segundo o Palácio do Planalto, ocorreu em tom "amistoso e cordial".

As tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil estiveram entre os principais temas. Lula contestou os argumentos usados por Washington para justificar as medidas, afirmou que as sobretaxas prejudicam as duas economias e defendeu a continuidade das negociações. Trump concordou com a necessidade de preservar os vínculos comerciais e propôs que as equipes dos dois governos voltem a se reunir "o mais brevemente possível".

Veja o relato da conversa feito pelo Palácio do Planalto.

Trump e Lula durante encontro na Casa Branca em maio. De lá para cá, a relação entre os dois se deteriorou.Ricardo Stuckert/PR

A atual rodada de tarifas decorre de duas medidas adotadas em julho com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana. A primeira impôs sobretaxa de 25% a determinados produtos brasileiros após uma investigação específica contra o país. A segunda, de 12,5%, foi aplicada ao Brasil no âmbito de uma apuração sobre trabalho forçado que atingiu 60 economias. Nos produtos alcançados simultaneamente pelas duas medidas, a cobrança adicional chega a 37,5%.

Lula classificou como infundadas as alegações apresentadas pelos Estados Unidos sobre temas como desmatamento, acordos tarifários preferenciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, Pix, etanol e trabalho forçado.

Crime organizado

A cooperação contra o crime organizado também entrou na conversa. Lula afirmou que as facções submetem principalmente as populações mais pobres a um "terror cotidiano", mas rejeitou classificá-las como organizações terroristas. Segundo ele, o Brasil dispõe de instrumentos próprios para enfrentá-las.

De acordo com relator divulgado pelo Palácio do Planalto, o presidente destacou a estratégia de atingir financeiramente as organizações criminosas, que, segundo o governo, já resultou na apreensão de cerca de R$ 17 bilhões. Citou ainda o plano de transformar 138 presídios em unidades de segurança máxima, a Lei Antifacção e a proposta de ampliar o papel do governo federal na segurança pública.

Lula mencionou também o Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, em Manaus. Trump se dispôs a reforçar a parceria nessa área e, de acordo com o Planalto, afirmou que mobilizaria integrantes de alto escalão do governo americano para dar continuidade às tratativas.

Ucrânia e Oriente Médio

Os dois presidentes também discutiram conflitos internacionais. Lula e Trump concordaram sobre a urgência de uma solução negociada para a guerra entre Rússia e Ucrânia. O americano apresentou ainda sua avaliação sobre as perspectivas de resolução do conflito com o Irã.

Lula voltou a criticar a atuação do Conselho de Segurança da ONU e propôs uma reunião extraordinária do órgão para discutir saídas diplomáticas para as crises. Segundo a Presidência, afirmou que "os grandes líderes não são aqueles que iniciam guerras, mas aqueles que põem fim aos conflitos".

Da "química" ao "imperador"

A ligação acrescenta mais um capítulo a uma relação que alternou aproximações e atritos nos últimos meses. Em maio, Lula e Trump tiveram uma agenda de cerca de três horas na Casa Branca, incluindo reunião e almoço. O brasileiro falou em "amor à primeira vista" e em "química" entre os dois. Trump classificou o encontro como positivo e, horas depois, chamou Lula de "homem bom" e "cara inteligente".

O clima voltou a azedar em junho. Diante de uma nova ofensiva tarifária, Lula disse que Trump havia feito uma "coisa desaforada" e que continuava agindo "como imperador". Em agosto, mesmo com o agravamento das divergências, voltou a fazer acenos pessoais: chamou o republicano de "meu amigo Trump" e, dias depois, afirmou acreditar que "não é ele quem não gosta do Brasil", atribuindo parte das tensões a integrantes do governo americano.

A conversa desta sexta terminou sem anúncio de redução das tarifas, mas com o compromisso de novas reuniões entre as equipes dos dois países.

Veja mais no portal
cadastre-se, comente, saiba mais

Notícias Mais Lidas

Artigos Mais Lidos