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Flávio enfrenta sabatina na Globo sobre Master, golpe, tarifas e Pix

Candidato do PL negou irregularidades no caso Master, prometeu anistia ou indulto aos condenados pelo 8 de Janeiro, declarou o PIX "inegociável" e indicou Claudio Lottenberg para a Saúde.

29/8/2026
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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enfrentou uma sabatina marcada por perguntas sobre o Banco Master, a condenação de Jair Bolsonaro, o tarifaço dos Estados Unidos, relações políticas com personagens ligados ao crime organizado, economia e meio ambiente nesta sexta-feira (28), na TV Globo.

Candidato à Presidência da República, Flávio passou boa parte dos 40 minutos defendendo o pai e contrapondo sua candidatura ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ao longo da entrevista, também apresentou algumas propostas: prometeu reduzir ministérios e cargos comissionados, fazer um "tesouraço" na burocracia e nos impostos e anunciou Claudio Lottenberg como seu escolhido para comandar o Ministério da Saúde caso seja eleito.

A parte inicial da entrevista foi quase inteiramente dedicada à relação de Flávio com o banqueiro Daniel Vorcaro e ao financiamento do filme Dark Horse, produção sobre a trajetória de Jair Bolsonaro.

Na Globo, Flávio defende pai, critica Lula e anuncia ministro da Saúde.TV Globo

Caso Master domina início da entrevista

Questionado sobre as contradições em suas declarações anteriores e sobre os R$ 61 milhões destinados por Vorcaro ao filme, Flávio afirmou que não houve irregularidade porque se tratava de uma relação privada e sem recursos públicos.

"Eu não tenho absolutamente nada de errado em um filho buscar um financiamento privado para um filme do próprio pai", afirmou.

O candidato disse que sua participação no projeto se restringiu à autorização para uso da imagem e à busca de investidores. Segundo ele, nenhum recurso foi transferido para sua conta pessoal.

Pressionado a explicar uma mensagem enviada a Vorcaro na véspera da prisão do banqueiro, na qual afirmou "estou e estarei contigo sempre", Flávio disse que se referia exclusivamente ao desejo de preservar o projeto cinematográfico.

"A única relação que eu tinha com ele era sobre esse filme e mais nada."

O senador também comparou o financiamento da produção a investimentos e patrocínios concedidos por Vorcaro a empresas do Grupo Globo, provocando reação dos apresentadores, que ressaltaram que as relações comerciais da emissora seguem regras de transparência e publicidade.

Contrato e prestação de contas

A entrevista avançou sobre a ausência de informações detalhadas a respeito do caminho percorrido pelo dinheiro.

Os jornalistas destacaram que uma perícia contratada pela própria produtora não teve acesso ao fundo americano que recebeu recursos de Vorcaro e não apresentou notas fiscais, comprovantes bancários nem a identificação completa dos financiadores.

Flávio sustentou que a prestação de contas já havia sido realizada e argumentou que a perícia concluiu não haver dinheiro público envolvido.

Questionado diretamente sobre quando apresentaria o contrato firmado com Vorcaro, negou ter assinado qualquer documento.

"Eu não firmei contrato com ninguém. A minha parte nesse filme foi autorizar o uso da minha imagem e captar investidores. O contrato não cabe a mim."

O candidato aproveitou o tema para defender a criação da CPMI do Banco Master e direcionar questionamentos às relações de Vorcaro com integrantes do governo Lula.

Condenação de Bolsonaro foi "farsa"

A condenação de Jair Bolsonaro também ocupou espaço central na sabatina. Flávio voltou a contestar a decisão do Supremo Tribunal Federal e classificou o processo contra o pai como uma "grande farsa".

Segundo ele, Bolsonaro teria sido "julgado pelos seus inimigos". Flávio citou nominalmente Alexandre de Moraes e questionou a participação dos ministros Flávio Dino e Cristiano Zanin, ambos indicados por Lula.

Ao ser confrontado com depoimentos de militares de alta patente sobre as articulações golpistas, Flávio também relativizou as acusações.

Sobre o general Mário Fernandes, que admitiu ser autor de um documento com plano contra autoridades, o candidato afirmou que, caso tenha elaborado o plano, "a responsabilidade é dele".

Já ao comentar os relatos dos então comandantes do Exército e da Aeronáutica, que confirmaram reuniões e pressões relacionadas a uma ruptura institucional, Flávio questionou a imparcialidade dos militares.

Anistia ou indulto

Flávio também reafirmou que pretende beneficiar condenados pelos atos relacionados à tentativa de ruptura democrática.

Segundo ele, a prioridade seria aprovar uma anistia ainda durante a transição de governo, caso vença as eleições. Se isso não ocorrer, prometeu conceder indulto depois de assumir a Presidência.

O candidato utilizou discussões da Constituinte de 1988 para sustentar que crimes contra o Estado Democrático de Direito podem ser alcançados por medidas dessa natureza.

Ao ser questionado sobre declarações anteriores contra a segurança das urnas eletrônicas, Flávio reconheceu ter divulgado uma informação errada sobre uma empresa venezuelana.

"Falei errado", admitiu.

Em seguida, comprometeu-se a respeitar o processo e o resultado eleitoral.

"Vou respeitar o resultado das eleições, eu estou concorrendo com essas regras."

Quando questionado se reconheceria uma eventual derrota, porém, respondeu: "Eu não vou perder essa eleição. E eu digo mais: eu vou ganhar no primeiro turno."

Tarifaço e Eduardo Bolsonaro

Outro momento de confronto ocorreu quando a entrevista abordou a atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos e o tarifaço imposto ao Brasil pelo governo Donald Trump.

Flávio defendeu o irmão, mas reconheceu que ele errou ao agradecer publicamente ao presidente americano depois do anúncio das tarifas.

"Eu acho que ele errou de agradecer com relação às tarifas."

Ao mesmo tempo, rejeitou a tese de que Eduardo tenha sido responsável pelas medidas americanas e afirmou que o irmão atuava para denunciar o que considera violações de direitos humanos no Brasil.

Flávio também responsabilizou Lula pelo agravamento do conflito comercial.

"O Lula procurou muito essa tarifa. Ele xingou, ele ameaçou, ele conseguiu. Parabéns, Lula, você conseguiu tarifar as empresas brasileiras", afirmou.

O candidato disse ainda que procurou representantes dos Estados Unidos para tentar impedir a aplicação das tarifas e argumentou que uma eventual mudança de governo poderia facilitar uma negociação com Trump.

"O PIX é inegociável"

Questionado se aceitaria colocar o PIX na mesa de negociações com os Estados Unidos, Flávio respondeu de forma categórica.

"De forma alguma. O PIX é sagrado, o PIX é do brasileiro."

O candidato também defendeu Eduardo Bolsonaro das críticas por declarações anteriores sobre o sistema de pagamentos e afirmou que o irmão apenas havia lembrado que os Estados Unidos possuem instrumentos semelhantes.

"O PIX é inegociável", reforçou.

Adriano da Nóbrega e Rodrigo Bacelar

Na parte dedicada à segurança pública, Flávio foi questionado sobre sua relação passada com Adriano da Nóbrega, que chefiou o Escritório do Crime e foi morto em uma operação policial na Bahia.

O senador confirmou ter concedido uma homenagem a Adriano, mas sustentou que, à época, ele era visto como um policial exemplar e havia sido acusado injustamente de homicídio.

"Eu não posso ser responsabilizado pelo que a pessoa se transforma depois de cinco, dez, 15, 20 anos."

Os jornalistas também lembraram que a mãe e a mulher de Adriano trabalharam no gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. O candidato afirmou que conheceu a família quando Adriano estava preso e que a mãe dele atuava em movimentos de defesa de policiais.

Outro nome citado foi Rodrigo Bacelar, que chegou a receber apoio de Flávio para o governo do Rio e posteriormente foi preso. Segundo a pergunta apresentada na sabatina, a PF apontou que ele exerceria liderança política de um núcleo do Comando Vermelho.

"É muito grave. Se eu soubesse disso, jamais", respondeu Flávio.

Ajuste fiscal sem meta numérica

Na economia, Flávio prometeu um "ajuste fiscal forte", mas não definiu qual percentual da dívida pública pretende alcançar nem estabeleceu uma meta em reais ou em pontos do PIB.

Segundo ele, o caminho passará pela redução do tamanho do Estado.

"Eu vou cortar ministérios. Eu vou fazer um tesouraço, inclusive, nos cargos comissionados."

Flávio também prometeu eliminar mais de mil atos normativos no início do governo, reduzir impostos e combater a corrupção.

Ao ser pressionado sobre a atual política de valorização do salário mínimo e das aposentadorias, evitou dizer explicitamente se manteria todas as regras atuais, mas afirmou que não pretende economizar sobre esses grupos.

"Não farei economia com quem ganha salário mínimo, não farei economia com aposentados."

O candidato ainda afirmou que uma vitória eleitoral sua seria suficiente para melhorar as expectativas econômicas e provocar redução dos juros.

"Só com o anúncio da eleição de Flávio Bolsonaro como presidente da República (...) a taxa de juros já vai cair na reunião seguinte do Copom."

Relativizou aquecimento global

Na área ambiental, os apresentadores recuperaram um artigo de 2019 em que Flávio havia negado a existência do aquecimento global e defendido a ideia de resfriamento do planeta.

O candidato não aderiu à explicação científica predominante sobre as mudanças climáticas. Disse reconhecer a ocorrência de eventos extremos, mas voltou a classificá-los como fenômenos cíclicos.

"Eu acho que tem eventos climáticos extremos. Tem épocas cíclicas que fazem mais calor, tem épocas que fazem mais frio, que chovem mais."

Questionado se a posição não significaria negar evidências científicas, afirmou que não acredita que as mudanças sejam provocadas diretamente apenas pela influência humana.

Como principal política ambiental, Flávio destacou investimentos em saneamento básico e combate aos lixões.

Anunciado ministro para Saúde

Foi justamente ao falar de saneamento que Flávio migrou para a área da saúde e fez o principal anúncio programático da entrevista.

O candidato anunciou o médico Claudio Lottenberg como escolhido para comandar o Ministério da Saúde em um eventual governo.

"Conversei com o doutor Claudio Lottenberg, que vai ser o meu ministro da Saúde", disse.

Flávio afirmou que pretende levar ao SUS práticas utilizadas na saúde privada e prometeu modernizar o sistema público.

A declaração ocorreu já nos minutos finais da sabatina e foi retomada pelo candidato nas considerações finais, quando agradeceu publicamente a Lottenberg por ter aceitado o convite.

Eleição como confronto com atual governo

Ao encerrar a entrevista, Flávio buscou transformar a eleição em um julgamento dos quatro anos de governo Lula.

Perguntou aos telespectadores se estavam mais endividados, mais expostos à violência e à corrupção e pediu uma oportunidade para comandar o país.

"Você pode não concordar com muita coisa que eu falo, você pode ter alguma desconfiança com relação ao que eu vou fazer no meu governo, mas do lado de lá você sabe e tem 100% de certeza que vai dar errado", afirmou.

Por fim, apresentou sua candidatura de maneira pessoal:

"Não precisa gostar de Flávio Bolsonaro. Goste de você. Goste de Flávio Bolsonaro, o presidente."

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