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Nikolas aciona Anvisa por pai que ficou tetraplégico ao salvar filho

Deputado também solicita revisão de critérios de estudo clínico, como prazo de 72 horas e restrição a pacientes com lesões torácicas.

31/8/2026
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O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) acionou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para pedir que o órgão avalie o caso de Thiago José Camargos, conhecido como Tiba Camargos, que ficou tetraplégico após sofrer uma lesão medular ao mergulhar para socorrer um de seus seis filhos.

O acidente ocorreu em 9 de fevereiro de 2025. Desde então, Thiago e a família buscam acesso à polilaminina, substância experimental pesquisada para o tratamento de lesões na medula espinhal.

Em ofício encaminhado ao diretor-presidente da Anvisa, Leandro Safatle, Nikolas solicita que a agência analise a possibilidade de Thiago receber a substância e também reveja os critérios de elegibilidade do estudo clínico de fase 1 da polilaminina.

Em nota, o deputado afirmou:

"Protocolei ofício na Anvisa solicitando a análise do caso e a revisão dos critérios do estudo clínico da polilaminina, especialmente em relação à janela de 72 horas e à inclusão de pacientes com lesões cervicais."

Ofício de Nikolas Ferreira foi encaminhado à presidência da AnvisaKayo Magalhães / Câmara dos Deputados

Deputado questiona critérios do estudo

Segundo o documento, o estudo clínico autorizado pela Anvisa prevê a aplicação da polilaminina em pacientes com lesões torácicas entre os níveis T2 e T10 e estabelece uma janela de até 72 horas entre o acidente e a aplicação da substância.

O gabinete de Nikolas argumenta que os critérios restringem o acesso de pacientes com lesões cervicais, como Thiago, e pede que a agência avalie a possibilidade de ampliar tanto a janela temporal quanto os tipos de lesão contemplados pelo protocolo.

No pedido formal, o deputado solicita à Anvisa:

  • análise da possibilidade de Thiago receber a polilaminina;
  • revisão da janela de 72 horas prevista no estudo;
  • inclusão de pacientes com lesões cervicais; e
  • celeridade na análise de processos relacionados à substância.

Estudo clínico

Segundo o documento encaminhado pelo deputado, a Anvisa autorizou em janeiro deste ano um estudo clínico de fase 1 da polilaminina, inicialmente previsto para cinco pacientes.

Nikolas afirma que, até o fim de agosto, nenhum participante havia sido incluído no estudo e relaciona essa situação, entre outros fatores, aos critérios de elegibilidade estabelecidos no protocolo.

O ofício também menciona a possibilidade de uso compassivo da substância, modalidade destinada, em determinadas condições, ao acesso a medicamentos ainda em fase de pesquisa.

Segundo o documento, pacientes e familiares também têm recorrido à Justiça em busca da polilaminina fora dos critérios do estudo clínico oficial.

O deputado cita ainda a existência de mais de 300 ações judiciais no país relacionadas ao acesso à substância e afirma que a própria família de Thiago já apresentou duas ações, ambas indeferidas até o momento.

Cirurgia pode abrir nova janela para aplicação

O ofício afirma que Thiago desenvolveu cistos na medula espinhal em decorrência da lesão e que já há indicação médica para a retirada dessas formações por meio de cirurgia.

Segundo as informações apresentadas pelo gabinete, a família foi orientada de que o procedimento de abertura da medula poderia representar, do ponto de vista fisiológico, uma nova lesão medular. O deputado sustenta que isso poderia criar uma oportunidade para a aplicação da polilaminina durante o procedimento.

Por esse motivo, Nikolas pede que a Anvisa avalie o caso antes da cirurgia, argumentando que a possibilidade de aplicação da substância poderia se encerrar após o procedimento.

Na nota divulgada sobre o pedido, o parlamentar afirmou que agora aguarda a análise da agência.

"Agora, cabe à Anvisa avaliar o pedido. Da nossa parte, seguiremos fazendo o que o mandato nos permite: levar a demanda adiante e cobrar uma resposta."

Leia a íntegra do ofício.

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