Entre os 437 deputados federais que tentam a reeleição neste ano, dez, ou 2,3%, fazem parte de um grupo especialmente longevo: já exerceram mandato em pelo menos sete legislaturas da Câmara. O líder desse ranking é Átila Lins (PSD-AM), no nono mandato e candidato ao décimo. Claudio Cajado (PP-BA), Arlindo Chinaglia (PT-SP) e Jandira Feghali (PCdoB-RJ) estão no oitavo e tentam o nono. Damião Feliciano (União-PB), Dilceu Sperafico (PP-PR), José Priante (MDB-PA), Lincoln Portela (PL-MG), Sérgio Brito (PSD-BA) e Silas Câmara (Republicanos-AM) buscam chegar ao oitavo.
A longevidade atravessa diferentes momentos da política brasileira. Sérgio Brito chegou à Câmara em 1987, como deputado constituinte. Átila e Jandira tomaram posse em 1991, no governo Fernando Collor. Cajado, Chinaglia, Priante e Sperafico estrearam em 1995, no primeiro governo Fernando Henrique Cardoso; Damião, Lincoln e Silas, em 1999, quando o tucano iniciava o segundo mandato.
O levantamento do Congresso em Foco considera as legislaturas em que cada parlamentar exerceu mandato, de acordo com os registros da Câmara. Isso não significa necessariamente mandatos consecutivos nem o mesmo número de eleições vencidas. Há trajetórias interrompidas e, no caso de Damião Feliciano, uma legislatura em que exerceu o cargo apenas como suplente por alguns meses.
Átila tenta o décimo mandato
Átila Lins está na Câmara sem interrupção desde 1991. Aos 75 anos, o economista, advogado e servidor público é natural de Fonte Boa, no interior do Amazonas, e já acumulava uma longa trajetória política quando chegou ao Congresso. Foi deputado estadual por três mandatos consecutivos, de 1979 a 1991. Deixou a Assembleia Legislativa diretamente para assumir a cadeira de deputado federal.
Desde então, foi eleito para nove legislaturas consecutivas, atravessando 35 anos de mudanças políticas e partidárias. Ao longo da carreira na Câmara, exerceu a vice-liderança do governo entre 2000 e 2001 e ocupou funções em comissões ligadas, entre outros temas, à Amazônia, relações exteriores e defesa. Também presidiu a CPI da Internacionalização da Amazônia.
Se vencer novamente e permanecer até o fim da próxima legislatura, em 2031, Átila completará 40 anos consecutivos como deputado federal. Somados os 12 anos de deputado estadual, chegará ao fim de um eventual décimo mandato com 52 anos consecutivos no Legislativo estadual e federal.
Quatro querem a nona legislatura
Claudio Cajado chegou em 1995 e nunca mais deixou a Câmara. Advogado, construiu boa parte da carreira no antigo PFL/DEM antes de migrar para o PP e acumulou postos de liderança e vice-liderança.
Arlindo Chinaglia também está na Casa desde 1995. Médico e petista durante toda a trajetória como deputado federal, chegou ao principal posto da Câmara: presidiu a Casa entre 2007 e 2009.
Também médica, Jandira Feghali estreou antes dos dois, em 1991. Cumpriu quatro mandatos seguidos, ficou fora entre 2007 e 2011 e retornou para outros quatro. A interrupção explica por que, apesar de ter chegado ao Congresso há 35 anos, também tenta agora o nono mandato.
Sérgio Brito é quem chegou primeiro ao Congresso entre os dez. Tomou posse em 1987, como deputado constituinte, e foi reeleito para a legislatura seguinte. Depois, passou 12 anos fora da Câmara e retornou em 2007.
Desde então, exerceu mandato em todas as legislaturas, embora tenha se licenciado em diferentes períodos para assumir cargos no Executivo baiano. A trajetória produz uma peculiaridade: Brito chegou ao Congresso quatro anos antes de Átila, mas tem dois mandatos a menos.
Outros cinco buscam a oitava eleição
José Priante estreou em 1995, cumpriu três mandatos, ficou fora entre 2007 e 2011 e retornou naquele ano. Desde então, permanece na Câmara. Dilceu Sperafico, também de 1995, exerceu seis mandatos consecutivos, ficou fora entre 2019 e 2023 e retornou na atual legislatura. Agropecuarista e empresário, tem sua trajetória política ligada ao oeste do Paraná.
Lincoln Portela está na Câmara sem interrupção desde 1999. Comunicador e pastor, passou por diferentes siglas e exerceu postos de liderança partidária. Silas Câmara também chegou em 1999 e atravessou as sete legislaturas seguintes. Empresário e pastor evangélico, passou por diferentes partidos até chegar ao Republicanos. Os dois estão entre as lideranças da Frente Parlamentar Evangélica no Congresso.
Damião Feliciano estreou em 1999. Na legislatura seguinte, assumiu como suplente por menos de cinco meses, em 2004. Voltou à Câmara em 2007 e permanece na Casa desde então. Médico, empresário e comunicador, soma exercício de mandato em sete legislaturas.
Deputados e constituintes
Número de mandatos não é sinônimo de antiguidade no Congresso. Além de Sérgio Brito, Aécio Neves (PSDB-MG), Benedita da Silva (PT-RJ) e Lídice da Mata (PSB-BA) também tomaram posse como constituintes em 1987, quatro anos antes de Átila Lins.
Aécio e Benedita somam seis mandatos como deputados federais. Nos períodos em que estiveram fora da Câmara, ele foi governador de Minas Gerais e senador; ela, senadora, vice-governadora e governadora do Rio, além de ministra. Nenhum dos dois estará na próxima legislatura na Casa. Ambos disputarão vaga no Senado em outubro.
Lídice soma quatro mandatos como deputada federal. Desde a primeira passagem pela Câmara, foi prefeita de Salvador, deputada estadual e senadora. A parlamentar baiana é candidata à reeleição neste ano.
Os recordistas de Câmara
O recorde histórico da Câmara pertence ao baiano Manoel Novaes, que participou de 12 legislaturas, de forma não consecutiva, entre 1933 e 1982. Na sequência aparecem Ulysses Guimarães (SP) e Henrique Eduardo Alves (RN), ambos com 11 mandatos consecutivos. Ulysses permaneceu na Câmara de 1951 até morrer, em 1992, durante o 11º mandato; Henrique exerceu 11 legislaturas seguidas, de 1971 a 2015. Os dois foram presidentes da Casa.
Mesmo que seja reeleito para o décimo mandato, portanto, Átila Lins ainda ficará duas legislaturas abaixo do recorde histórico da Câmara.