O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta quinta-feira (10) a atuação do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, nas investigações sobre o Banco Master e reiterou sua confiança no delegado. Em entrevista ao SBT, Lula destacou a trajetória do chefe da corporação e os resultados obtidos pela PF durante seu governo.
Andrei foi afastado na terça-feira (8), ao lado do diretor de Inteligência da PF, Leandro Almada, após o ministro André Mendonça, do STF, atribuir à cúpula da corporação responsabilidade pela produção de relatórios de inteligência sobre integrantes da Corte. Depois de decisões conflitantes no Supremo, Edson Fachin suspendeu os afastamentos e manteve os dois delegados nos cargos.
Ao comentar a atuação do diretor-geral, Lula disse que Andrei é "um policial federal muito competente" e ressaltou seus mais de 30 anos de carreira. O presidente também citou operações conduzidas pela corporação durante a atual gestão.
Confira a fala:
Lula disse que Andrei "fez um trabalho extraordinário" e atribuiu à gestão do delegado parte do aumento das ações da PF contra o crime organizado, o tráfico de drogas e a lavagem de dinheiro.
O presidente reforçou ainda que "o Andrei é da minha total confiança", declarou, antes de acrescentar que, caso o delegado cometa algum erro, deverá ser julgado.
Responsabilização da gestão anterior
Ao tratar das repercussões do caso Master, Lula ressaltou que a investigação da Polícia Federal, a prisão de Daniel Vorcaro e o fechamento do banco ocorreram durante seu governo. O presidente também defendeu que a corporação tenha liberdade para aprofundar as apurações e esclarecer todas as suspeitas relacionadas à instituição financeira.
Lula voltou a mencionar a reunião que manteve com Vorcaro no Palácio do Planalto, em dezembro de 2024. Segundo o presidente, o banqueiro alegou que o Master estava sendo perseguido, e ele respondeu que a instituição seria submetida ao mesmo tratamento dado aos demais bancos: "você vai ser investigado com a seriedade que nós investigamos todo mundo".
Não é a primeira vez que Lula relata o encontro. Em fevereiro, o presidente já havia dito que comunicou a Vorcaro que não haveria interferência política favorável ou contrária ao Master e que a situação do banco seria analisada tecnicamente. A reunião, realizada fora da agenda oficial, havia sido articulada pelo ex-ministro da Fazenda Guido Mantega.
Afastamento e decisões no STF
O afastamento de Andrei e Almada ocorreu na terça-feira (8), por decisão liminar de André Mendonça, relator do inquérito do Banco Master, após pedido apresentado pelo Novo. O ministro responsabilizou a cúpula da PF pela produção de relatórios de inteligência que incluíam informações sobre sua atuação.
Os documentos haviam sido utilizados por Alexandre de Moraes para pedir providências contra Mendonça no Inquérito das Fake News. A 2ª Turma começou a analisar o afastamento no mesmo dia e formou maioria para mantê-lo após os votos de Luiz Fux e Nunes Marques, mas o julgamento foi interrompido por pedido de vista de Gilmar Mendes.
Na quarta-feira (9), Flávio Dino determinou a recondução dos dois delegados. O ministro considerou que o Novo não tinha legitimidade para requerer o afastamento de autoridades em uma investigação criminal e questionou que Mendonça decidisse sobre providências relacionadas a informações que tratavam do próprio magistrado.
Horas depois, Fachin suspendeu tanto a decisão de Mendonça quanto a de Dino e manteve Andrei e Almada no exercício das funções. O presidente do STF também determinou que procedimentos destinados a investigar integrantes da Corte passem previamente pela Presidência.
Fachin retirou ainda Moraes da relatoria do Inquérito das Fake News e convocou sessão extraordinária para terça-feira (15). O Plenário deverá analisar a validade do material produzido pela PF, o pedido da PGR para anulá-lo e a possibilidade de as informações fundamentarem uma investigação contra Moraes.