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Deputados que buscam reeleição recebem 8 vezes mais verba eleitoral

Embora sejam só 6% dos candidatos à Câmara, parlamentares que tentam novo mandato concentram 33% dos recursos já declarados. Eles já receberam mais de R$ 1 bilhão para gastar com a campanha.

24/9/2026
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A disputa por uma cadeira na Câmara começa muito antes do horário eleitoral, e nem todos chegam à largada com o mesmo combustível. Os deputados que tentam permanecer no Congresso representam menos de 6% dos candidatos registrados, mas concentram quase um terço de todo o dinheiro já declarado para a eleição. Os dados são de levantamento do Congresso em Foco, com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Os 434 deputados que disputam a reeleição correspondem a 5,9% das 7.364 candidaturas analisadas e receberam R$ 1,02 bilhão, ou 32,7% dos R$ 3,12 bilhões registrados para o cargo. Os outros 6.930 concorrentes, 94,1% do total, dividem os R$ 2,1 bilhões restantes.

A diferença aumenta quando se compara candidato a candidato. Deputados à reeleição registram média de R$ 2,35 milhões, contra R$ 303 mil dos demais, uma relação de 7,8 para 1. Pela mediana, menos influenciada pelas campanhas excepcionalmente ricas, o contraste é ainda maior: R$ 2,46 milhões entre deputados e R$ 74,5 mil entre os outros concorrentes.

Quem decide para onde vai o dinheiro

Boa parte dos recursos de campanha passa pelas estruturas partidárias. O Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), o chamado fundo eleitoral, soma R$ 4,96 bilhões em 2026. O TSE transfere as cotas aos partidos, mas são as direções nacionais que aprovam os critérios para repartir esse dinheiro entre seus candidatos. A legislação não exige divisão igualitária, embora imponha reservas para mulheres, pessoas negras e indígenas. Também há teto conforme o cargo disputado.

Levantamento mostra disparidade de recursos entre candidatos à reeleição e demais postulantes a uma vaga na Câmara.Arte Congresso em Foco

Na prática, as legendas podem concentrar recursos de acordo com suas estratégias eleitorais. Candidaturas vistas como mais competitivas podem receber parcelas maiores. Deputados em exercício chegam a essa decisão com vantagens mensuráveis pelos partidos: votação anterior conhecida, base política organizada, exposição pública e estrutura acumulada, além do poder de direcionar recursos orçamentários por meio de emendas parlamentares.

Os dados não permitem dizer que o mandato, sozinho, determinou cada repasse. Mas mostram que a associação entre já ocupar uma cadeira e receber mais dinheiro é praticamente generalizada.

Dois terços do topo já estão na Câmara

A concentração aparece também entre as campanhas mais abastecidas. Os dez candidatos com mais receitas são deputados em exercício. Entre os 20 primeiros, 16 já ocupam cadeira; entre os 100, são 67.

Na outra ponta, 955 candidaturas não tinham receita registrada na base consultada. Nenhuma era de deputado em exercício identificado pelo cruzamento. O total reúne 717 candidaturas com lançamento de valor zero e 238 sem linha de receita, situações distintas. O contraste dá a dimensão da diferença de condições financeiras entre concorrentes ao mesmo cargo.

Dinheiro e renovação

Dinheiro não garante eleição. Força regional, alianças, exposição pública, desempenho anterior e estrutura partidária também pesam. Mas uma campanha para deputado federal exige comunicação, equipe, deslocamentos e mobilização em todo o Estado. Uma diferença de quase oito vezes na receita média cria capacidades muito distintas de chegar ao eleitor.

O próprio desenho do financiamento público carrega para a eleição atual parte da correlação de forças produzida anteriormente. Do fundo eleitoral, 2% são divididos igualmente entre os partidos; 35% seguem a votação obtida para a Câmara; 48% dependem do tamanho da bancada de deputados; e 15%, da representação no Senado.

Assim, partidos que conquistaram mais votos e cadeiras recebem parcelas maiores do fundo. Depois, suas direções definem como repartir esse caixa internamente.

Ameaça à renovação

O mecanismo não impede a renovação da Câmara, mas ajuda a criar uma disputa em que candidatos já estabelecidos podem começar a campanha com uma vantagem financeira expressiva. Para quem tenta conquistar uma cadeira de fora, essa diferença se transforma em mais uma barreira de entrada.

Para chegar ao resultado do levantamento, o Congresso em Foco cruzou candidaturas e receitas declaradas ao TSE com a relação de deputados em exercício da Câmara. Foram excluídos registros com renúncia, indeferimento ou pedido não conhecido. A base de receitas foi gerada em 23 de setembro, às 4h05; a de candidaturas, às 19h30. Os valores correspondem às receitas declaradas naquele momento, e não às despesas realizadas.

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