A ex-vereadora do Rio de Janeiro Verônica Costa (PL), conhecida como "Mãe Loira do Funk", foi presa nesta quinta-feira (24), em Petrópolis, na Região Serrana fluminense, para cumprir pena de dez anos e oito meses de prisão por torturar o ex-marido, Márcio Costa.
O crime ocorreu em fevereiro de 2011 e envolveu quatro familiares da empresária.
Ao chegar à Cidade da Polícia, na Zona Norte do Rio, Verônica contestou a condenação e afirmou ser vítima de um erro judicial.
"Não sou nenhuma bandida, nenhuma marginal ou homicida. Aqui tem uma mulher que teve uma arma apontada para a cabeça e que foi vítima de um erro do Judiciário."
A ordem de prisão foi expedida pela juíza Daniele Lima Pires Barbosa, da 16ª Vara Criminal do Rio, após o trânsito em julgado da condenação, quando se encerram as possibilidades de recurso no processo. A pena deve ser cumprida inicialmente em regime fechado.
Segundo a Polícia Civil, Verônica era considerada foragida desde quarta-feira (23).
Os investigadores afirmam que ela trocou de carro pelo menos quatro vezes durante o trajeto do Rio de Janeiro até Araras, em Petrópolis, para tentar despistar os agentes.
Amarras, afogamentos e ameaças
O crime ocorreu na residência do casal, em Vargem Grande. Segundo a denúncia do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), Márcio foi amarrado à cama, acorrentado, vendado e amordaçado na suíte.
Ele relatou ter permanecido cerca de 20 horas sob agressões e ameaças, entre os dias 21 e 22 de fevereiro de 2011.
A acusação apontou que os envolvidos cobravam explicações sobre um suposto desvio de dinheiro de campanha eleitoral. A denúncia também mencionou suspeitas de infidelidade como motivação para a violência.
Durante o período em que ficou imobilizado, Márcio foi submetido a afogamentos no vaso sanitário e na banheira. Conforme a denúncia, os agressores aplicaram inseticida em seu rosto e derramaram gasolina sobre seu corpo, enquanto ameaçavam incendiá-lo.
O empresário também relatou ameaças de choques elétricos.
Na tarde seguinte, depois de ter as mãos parcialmente soltas em razão do inchaço provocado pelas amarras, ele conseguiu escapar pela varanda e pular o muro para uma casa vizinha, onde recebeu socorro.
Márcio ficou dez dias internado em duas unidades de saúde, com passagem por um centro de terapia intensiva. Laudos do Instituto Médico-Legal (IML) registraram lesões, marcas no pescoço e nos punhos e queimaduras químicas em diferentes partes do corpo.
Os registros médicos apontaram queimaduras de primeiro e segundo graus.
Da denúncia à prisão, 15 anos depois
A primeira condenação ocorreu em 2019, oito anos após o crime. Verônica recebeu pena de cinco anos e dez meses de prisão, em regime semiaberto. O Ministério Público recorreu para aumentar a punição.
Em 2023, a 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio elevou a pena para dez anos e oito meses, com início em regime fechado. Os desembargadores também mantiveram a determinação de perda do mandato de vereadora.
Quatro familiares foram condenados no mesmo processo.
O irmão de Verônica, Bruno Chaves Ribeiro, recebeu pena de dez anos e oito meses. A irmã, Tatiane Chaves Ribeiro; o cunhado, Bruno Marcelo Bahia Marques; e o padrasto, Sebastião de Oliveira Evangelista, foram condenados a dez anos cada.
Com a condenação definitiva, a Justiça determinou o cumprimento das penas. Além da ex-vereadora, outros três condenados foram presos na quinta-feira.
O padrasto, Sebastião de Oliveira Evangelista, está foragido.
Verônica negou as acusações durante o processo. Após o aumento da pena, em 2023, afirmou que sofria violência doméstica por parte do ex-marido e questionou as provas apresentadas à Justiça.
Ex-marido relata alívio
Márcio se manifestou nas redes sociais sobre o desfecho judicial. Disse que recebeu a notícia com alívio e que os efeitos da violência permaneceram ao longo dos anos.
"Não é comemoração. É alívio. Esperei tempo demais por esse momento", escreveu.