A quatro dias do primeiro turno, o presidente Lula (PT) entra na reta final da campanha com um roteiro concentrado nos maiores colégios eleitorais do país, sem se limitar a seus redutos. Desde o início oficial da campanha, em 16 de agosto, o presidente esteve em 13 Estados e no Distrito Federal. As 14 unidades federativas (UFs) visitadas reúnem 128,1 milhões de eleitores, o equivalente a 80,7% do eleitorado brasileiro.
Outros 13 Estados ficaram fora da agenda. Entre eles, cinco onde Lula derrotou Jair Bolsonaro no segundo turno de 2022: Amazonas, Maranhão, Paraíba, Sergipe e Tocantins. Também não receberam o presidente em compromissos eleitorais Acre, Amapá, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia e Roraima.
O peso dos grandes colégios é uma das marcas do roteiro do petista no primeiro turno. Lula passou pelas dez UFs com mais eleitores do país — São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia, Paraná, Rio Grande do Sul, Pernambuco, Ceará, Pará e Santa Catarina —, que somam cerca de 118 milhões de votantes, aproximadamente 74% do eleitorado nacional. A campanha também chegou ao Piauí, 16º maior colégio eleitoral; ao Rio Grande do Norte, 17º; a Alagoas, 19º; e ao Distrito Federal, 20º.
Das 14 UFs visitadas, oito deram vitória a Lula no segundo turno de 2022 — Alagoas, Bahia, Ceará, Minas Gerais, Pará, Pernambuco, Piauí e Rio Grande do Norte — e seis ficaram com Jair Bolsonaro: Distrito Federal, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo.
Reta final
As últimas agendas reforçam destinos já visitados. Depois de passar por Belém, Fortaleza e Salvador no início da semana, Lula participa nesta quarta-feira (30) de caminhada em Juiz de Fora, ao lado de Patrus Ananias, candidato do PT ao governo de Minas, e das candidatas ao Senado Marília Campos (PT) e Áurea Carolina (Psol).
Na sexta-feira (2), deve voltar a Belo Horizonte e seguir para o Rio de Janeiro. O próprio presidente afirmou, em Fortaleza, que pretende encerrar a campanha no sábado (3), com uma passeata em São Paulo. A quinta-feira (1º) permanece sem ato de rua anunciado e coincide com o último debate presidencial da TV Globo antes da votação.
O levantamento do Congresso em Foco considera apenas compromissos presenciais de campanha desde 16 de agosto. Agendas institucionais cumpridas por Lula como presidente foram excluídas. Por esse critério, não entram, por exemplo, as passagens por Crato, no Ceará, e Barretos, em São Paulo. Nos dois casos, Lula cumpriu compromissos de governo antes de seguir para atos eleitorais em Juazeiro do Norte e São José do Rio Preto.
Dez maiores colégios entraram no roteiro
Entre os dez maiores eleitorados, São Paulo lidera, com 34,1 milhões de eleitores, seguido por Minas Gerais, com 16,4 milhões; Rio de Janeiro, com 12,9 milhões; Bahia, com 11,3 milhões; e Paraná, com 8,6 milhões. Só esses cinco concentram 52,45% do eleitorado brasileiro.
Na sequência aparecem Rio Grande do Sul, Pernambuco, Ceará, Pará e Santa Catarina, também incluídos na campanha presencial de Lula.
A reta final acentua essa concentração. Lula volta a Minas nesta quarta-feira e novamente na sexta, deve passar pelo Rio e pretende encerrar a campanha em São Paulo. Os três maiores colégios eleitorais do país, sozinhos, concentram perto de 40% dos eleitores.
O tamanho do eleitorado, porém, não explica sozinho as escolhas. Lula também levou a campanha a Estados menores, como Piauí, Rio Grande do Norte e Alagoas, enquanto Goiás, Maranhão e Amazonas permaneceram fora do roteiro.
Cinco ausências onde venceu em 2022
As ausências tampouco se limitam a territórios eleitoralmente difíceis para Lula.
No segundo turno de 2022, ele venceu Bolsonaro em cinco dos 13 Estados ainda não visitados: Amazonas, Maranhão, Paraíba, Sergipe e Tocantins. Nos outros oito — Acre, Amapá, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia e Roraima —, Bolsonaro terminou à frente.
Alguns dos Estados fora do roteiro também registraram vantagem de Lula em pesquisas deste ano, entre eles Maranhão, Paraíba e Amazonas. Como os levantamentos foram realizados em períodos diferentes e têm amostras e metodologias próprias, os percentuais não são diretamente comparáveis.
Aliados também ficaram sem visita
Lula tem candidatos ao governo apoiados por seu campo político nos 13 Estados ainda não visitados.
Entre eles estão Omar Aziz (PSD), no Amazonas; Felipe Camarão (PT), no Maranhão; Lucas Ribeiro (PP), na Paraíba; Fábio Mitidieri (PSD), em Sergipe; e Laurez Moreira (PSD), no Tocantins.
Também integram esse mapa de alianças Thor Dantas (PSB), no Acre; Clécio Luís (União), no Amapá; Helder Salomão (PT), no Espírito Santo; Luiz Cesar Bueno (PT), em Goiás; Natasha Slhessarenko (PSD), em Mato Grosso; Fábio Trad (PT), em Mato Grosso do Sul; Expedito Netto (PT), em Rondônia; e Rosi Aires (Psol), em Roraima. O próprio PT tem apresentado candidaturas próprias e de partidos aliados como parte de seu arranjo estadual para 2026.
Palanques duplos aparecem dentro e fora do roteiro
A existência de mais de um grupo político buscando associação com Lula tornou a montagem de alguns palanques mais delicada, mas não determinou o roteiro.
No Distrito Federal, PT e PSB chegaram à eleição com candidaturas próprias ao governo, de Leandro Grass e Ricardo Cappelli. Lula esteve em Ceilândia em setembro e participou de ato ao lado de Grass.
Em Pernambuco, integrantes da campanha chegaram a falar em mais de um palanque aliado. Lula, porém, declarou apoio a João Campos (PSB) e fez campanha com ele no Recife. A governadora Raquel Lyra (PSD), adversária de Campos e candidata à reeleição, também se aproximou do presidente ao longo do mandato.
Maranhão e Paraíba, onde diferentes grupos procuraram se vincular a Lula, ficaram fora do roteiro. No Maranhão, o presidente apoia Felipe Camarão (PT), enquanto o grupo do governador Carlos Brandão busca associar-se a ele por meio de Orleans Brandão (MDB). Na Paraíba, o palanque formal é o de Lucas Ribeiro (PP), embora Cícero Lucena (MDB) também tenha buscado aproximação durante a campanha.
Há, portanto, palanques divididos tanto entre os Estados visitados quanto entre os que ficaram de fora. Se nenhuma nova unidade da Federação entrar na agenda até sábado, Lula chegará ao primeiro turno com campanha presencial em 14 das 27 UFs e sem visitar 13 Estados. A votação será neste domingo (4).