Na reta final do primeiro turno, Lula (PT) está a 5,6 pontos percentuais dos 50% dos votos válidos, segundo média calculada pelo Congresso em Foco a partir das pesquisas mais recentes de sete institutos. Se o comparecimento e a proporção de votos válidos de 2022 se repetissem, essa distância corresponderia a cerca de 6,7 milhões de votos.
Flávio Bolsonaro (PL) aparece mais longe de uma vitória no primeiro turno. Recalculados apenas sobre os votos válidos, os levantamentos dão, em média, 44,4% a Lula e 40,2% a Flávio. O senador precisaria avançar 9,8 pontos, o equivalente a aproximadamente 11,7 milhões de votos nas mesmas condições.
O levantamento considera a pesquisa mais recente de Datafolha, Indexa, Meio/Ideia, AtlasIntel, Quaest, Nexus e Real Time Big Data, divulgadas entre 24 de setembro e 1º de outubro. Cada instituto entrou uma única vez e teve o mesmo peso.
Antes da conversão para votos válidos, Lula registra média de 41,1%, contra 37,2% de Flávio. Foram considerados Datafolha, 40% a 36%; Indexa, 39% a 34%; Meio/Ideia, 39,4% a 38,4%; AtlasIntel, 45,3% a 42,2%; Quaest, 39% a 34%; Nexus, 42% a 37%; e Real Time Big Data, 43% a 39%. O último Real Time, por exemplo, foi realizado entre 26 e 30 de setembro e registrou 43% para Lula e 39% para Flávio.
A conta dos votos válidos
Para aproximar os levantamentos do critério usado na apuração, o Congresso em Foco recalculou os percentuais considerando apenas os entrevistados que indicaram algum candidato. Brancos, nulos, indecisos e respostas de não voto ficaram fora dessa base.
Na Indexa, por exemplo, os candidatos somam 85% das respostas. Os 39% de Lula passam, assim, a 45,9% dos votos válidos estimados, enquanto os 34% de Flávio equivalem a 40%. No Datafolha, o próprio instituto divulga a conta em votos válidos: 43% para Lula e 39% para Flávio.
Feito o mesmo ajuste nos sete levantamentos, a média simples chega a 44,4% para Lula e 40,2% para Flávio.
Em entrevista ao Congresso em Foco, o cientista político e CEO da Indexa Pesquisas, Arilton Freres, afirmou que Lula está numericamente mais perto de liquidar a eleição, mas enfrenta pouco espaço para crescer. "O Lula é aquele candidato com piso muito alto e teto muito baixo. A margem de crescimento dele é muito estreita", disse.
Quanto isso representa em votos
O Brasil tem 158.765.543 eleitores aptos a votar neste ano. Em 2022, 79,05% do eleitorado compareceu ao primeiro turno e foram contabilizados 118,2 milhões de votos válidos.
Se esses índices se repetissem, a eleição de domingo teria perto de 120 milhões de votos válidos. Seriam necessários pouco mais de 60 milhões para ultrapassar a metade.
Com 44,4%, Lula teria aproximadamente 53,3 milhões e precisaria acrescentar cerca de 6,7 milhões de votos. Flávio, com 40,2%, teria perto de 48,2 milhões e necessitaria de aproximadamente 11,7 milhões a mais.
Os números são apenas uma tradução dos percentuais para a dimensão do eleitorado. O comparecimento e a quantidade de votos brancos e nulos podem alterar tanto o número de votos válidos quanto o total necessário para superar os 50%.
De onde podem vir os votos que faltam
A própria média dá uma medida do espaço disponível fora dos dois líderes. Se Lula concentra 44,4% dos votos válidos estimados e Flávio, 40,2%, os demais candidatos ficam, juntos, com 15,4%.
Mantidos os percentuais dos demais componentes da conta, Lula precisaria incorporar 5,6 desses 15,4 pontos para chegar aos 50% — pouco mais de um terço dos votos que hoje aparecem com outras candidaturas.
Há ainda eleitores que nas pesquisas se declaram indecisos, dizem votar em branco ou nulo ou afirmam que podem mudar de candidato. Nem todo voto conquistado nesse grupo, porém, aproxima Lula na mesma proporção dos 50%: quando um eleitor que antes não indicava candidato passa a escolher alguém, aumenta também o universo de votos válidos.
Outra frente é o comparecimento. Na reta final, a campanha de Lula passou a enfatizar a redução da abstenção entre segmentos e regiões nos quais o presidente apresenta desempenho mais favorável nas pesquisas. Mobilizar quem já tende a votar nele pode ser tão importante para a conta do primeiro turno quanto conquistar votos de adversários menores.
O alerta de 2022
A eleição passada mostra por que a distância até os 50% deve ser lida com cautela. No primeiro turno de 2022, Lula terminou com 48,43% dos votos válidos, enquanto Jair Bolsonaro chegou a 43,20%. As pesquisas finais ficaram, em geral, mais próximas do resultado de Lula e subestimaram o desempenho de Bolsonaro. O precedente não permite projetar que o mesmo ocorrerá agora, mas mostra que diferenças de poucos pontos na reta final podem mudar de tamanho nas urnas.
A média do Congresso em Foco também não é uma previsão do resultado de domingo. Os institutos trabalham com metodologias, amostras, períodos de coleta e margens de erro diferentes. O cálculo mostra a distância que separaria Lula e Flávio dos 50% caso a fotografia atual das pesquisas se reproduzisse nas urnas.