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Ações de Lula e notícias contra Flávio pesam pouco, diz CEO da Indexa

Em entrevista exclusiva, o cientista político Arilton Freres avalia que a polarização amortece o impacto de fatos novos e vê Lula com mais dificuldade que Flávio para conquistar eleitores fora de sua base.

1/10/2026
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A três dias do primeiro turno, o cientista político e CEO da Indexa Pesquisas, Arilton Freres, vê uma eleição marcada pela continuidade da polarização de 2022, com pouco espaço para grandes mudanças até domingo. Para ele, o cenário mais provável ainda é Lula terminar à frente de Flávio Bolsonaro, mas sem votos suficientes para encerrar a disputa no primeiro turno.

"Eu tenho dito que é como se a gente estivesse vivendo um terceiro turno de 2022. As pessoas não pararam a mobilização em rede social, a polarização não parou", afirmou Freres, em entrevista ao Congresso em Foco. "Só trocou o Jair para o Flávio."

Na pesquisa Indexa/Broadcast divulgada nesta quarta-feira (30), Lula aparece com 39% das intenções de voto, contra 34% de Flávio. Foram ouvidos 2 mil eleitores entre 27 e 29 de setembro, e a margem de erro é de 2,2 pontos percentuais.

Piso alto, teto baixo

Freres avalia que Lula está mais perto, numericamente, de uma vitória no primeiro turno, ou seja, de alcançar os 50% dos votos válidos no domingo, mas enfrenta um caminho mais estreito para encontrar os votos que faltam. Parte do eleitorado da chamada terceira via, segundo ele, resiste ao presidente e tende a comparecer às urnas, o que reduz também a possibilidade de Lula se beneficiar de uma eventual abstenção nesse grupo.

"O Lula é aquele candidato com piso muito alto e teto muito baixo. A margem de crescimento dele é muito estreita", disse.

A avaliação dialoga com levantamento do Congresso em Foco feito a partir das pesquisas mais recentes de sete institutos. Recalculados apenas os votos válidos, Lula aparece com média de 44,4% e está a 5,6 pontos dos 50%. Flávio tem 40,2% e está a 9,8 pontos. Se o comparecimento e a proporção de votos válidos de 2022 se repetissem, seriam cerca de 6,7 milhões de votos adicionais para Lula e 11,7 milhões para Flávio.

Freres considera, porém, que Flávio pode ter alguma facilidade relativa para dialogar com o eleitor da terceira via, mais resistente a Lula. A transferência, ressalva, está longe de ser automática. "Se esse eleitor de terceira via já quisesse o Flávio, já estaria com o Flávio há muito tempo."

Mesmo com eventual voto útil, ele considera o segundo turno o caminho mais provável. "Os movimentos de voto útil, que começam hoje e se estendem até domingo, precisam ser observados com lupa", afirmou o CEO da Indexa, novo nome do Instituto Opinião, que tem feito pesquisas este ano para o jornal O Estado de S. Paulo.

"Alto risco" fora do debate

Freres também vê risco na decisão de Lula de não participar do debate da TV Globo nesta quinta-feira (1º). Na avaliação dele, o encontro poderia ajudar o presidente a mobilizar sobretudo eleitores mais velhos, mais ligados à televisão aberta, enquanto sua ausência abre espaço para Flávio tentar alcançar pequenas parcelas de indecisos ou eleitores pouco mobilizados.

"É uma medida de alto risco. Eu acho um cálculo de alto risco", disse.

Voto "calcificado"

A forte identidade dos dois campos ajuda a explicar, segundo Freres, tanto a resiliência de Flávio diante de notícias negativas quanto o efeito limitado das medidas recentes do governo Lula.

"É quase como uma torcida de futebol. E aí vale também para o lulismo", afirmou. Freres estima que lulismo e bolsonarismo mobilizem, cada um, cerca de 30% do eleitorado de saída, comprimindo o espaço disponível para alternativas.

Segundo ele, medidas recentes do governo produziram algum movimento entre mulheres e no Sudeste e ajudaram Lula a "estancar a sangria", mas sem alterar significativamente a estrutura da disputa. "São medidas de impacto gigantesco. Mobilizou muito pouco do eleitorado, dado o engajamento e a calcificação do voto que tem dos dois lados", afirmou.

Ainda assim, Freres diz que fatos novos, falas mal colocadas e movimentos de voto útil podem deslocar pequenas parcelas do eleitorado — suficientes para pesar numa disputa apertada. "É preciso tomar cuidado com a língua", adverte.

Para ele, há também um desgaste acumulado com uma campanha que, em sua avaliação, praticamente não teve intervalo desde 2022. As pesquisas qualitativas da Indexa, afirma, têm identificado "cansaço extremo" entre eleitores menos engajados. "As pessoas não aguentam mais falar de política", resumiu.

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