Os candidatos à presidência Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema (Novo) lamentaram, na noite desta quinta-feira (1º), o cancelamento do último debate presidencial da TV Globo antes do primeiro turno. Os três já estavam na emissora quando o encontro foi suspenso.
Ronaldo Caiado classificou o episódio como um "atentado à democracia brasileira". "Destruíram o processo eleitoral no país. Nós não tivemos a oportunidade de poder promover debates", declarou.
O candidato também criticou Lula por não comparecer ao encontro e por participar de um podcast no mesmo horário. O presidente concedeu entrevista ao Flow na noite desta quinta-feira.
Ao justificar sua frustração, o candidato do PSD afirmou que o debate seria uma oportunidade de apresentar propostas e tentar recuperar a confiança de eleitores no processo político.
Já Augusto Cury classificou o cancelamento como uma "frustração tremenda" e também criticou o protagonismo do Supremo no processo político. "Essa insegurança jurídica tem de terminar. O STF é o alicerce da democracia, e um alicerce tem que ser discreto", afirmou.
Cury defendeu ainda mudanças constitucionais para estabelecer mandato de oito anos para ministros do Supremo, em substituição ao atual modelo em que os integrantes da Corte permanecem no cargo até a aposentadoria compulsória aos 75 anos.
O candidato afirmou que havia se preparado durante seis meses para apresentar propostas no encontro e citou projetos para saúde e educação. Cury também atacou Lula e Flávio Bolsonaro, acusando os dois adversários de dependerem do poder político.
As críticas também partiram de Romeu Zema, que disse não ser contrário à participação de outros concorrentes, mas argumentou que as regras estabelecidas anteriormente deveriam ter sido preservadas.
Zema também negou rumores de desistência e afirmou que permanecerá na corrida presidencial "até o último minuto". A Globo havia incluído Zema depois de decisão do presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, que alterou o entendimento aplicado à contagem da representação parlamentar para fins de participação no debate.
A Globo afirmou que cancelou o programa depois de receber duas notificações que alteraram as regras previamente acordadas. A ministra Estela Aranha, do TSE, proibiu a emissora de exibir o púlpito vazio de Lula (PT), que havia decidido não participar; depois, Gilmar Mendes, do STF, determinou a inclusão de Renan Santos (Missão).
Flávio Bolsonaro (PL) também desistiu de participar pouco antes do programa. Em nota, a emissora afirmou que as decisões de última hora provocaram "insegurança jurídica" e interferiram na organização do debate.