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Vingança? Debate de 2026 rememora polêmica entre Lula e Collor em 1989

Episódio de 37 anos atrás voltar a circular nas redes sociais após cancelamento de debate na quinta-feira (1º).

2/10/2026
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O cancelamento do último debate presidencial da TV Globo antes do primeiro turno das eleições de 2026 fez um episódio de 37 anos atrás voltar a circular nas redes sociais. Publicações passaram a dizer que Lula (PT) teria protagonizado uma espécie de "vingança" contra a emissora ao se ausentar do encontro da quinta-feira (1º), em referência à controversa edição feita pelo Jornal Nacional do debate entre Lula e Fernando Collor de Mello em 1989.

Debate presidencial entrou para a história.Reprodução

1989

A história que voltou a circular aconteceu na primeira eleição presidencial direta do Brasil depois de 29 anos. No primeiro turno de 1989, Fernando Collor (PRN) terminou na primeira colocação, enquanto Lula avançou para o segundo turno após uma disputa apertada com Leonel Brizola (PDT).

O célebre debate entre Lula e Collor foi realizado em 14 de dezembro nos estúdios da TV Bandeirantes, em São Paulo, e transmitido integralmente também na Globo, Manchete e SBT. Mas foi o que aconteceu depois do segundo debate que transformou o episódio em uma das maiores controvérsias da história da cobertura eleitoral brasileira.

Propaganda do SBT para o debate.Reprodução

Na edição do dia seguinte, Jornal Hoje e no Jornal Nacional exibiram trechos selecionados: Collor recebeu aproximadamente um minuto e meio a mais na reportagem. Segundo relato mantido pelo próprio Memória Globo, a emissora foi acusada de selecionar momentos favoráveis a Collor e desfavoráveis a Lula.

Anos depois, o ex-diretor-geral da Globo, conhecido como Boni, admitiu ter tido contato com a assessoria do presidenciável com a reclamação de que Collor era prejudicado em debates. Boni conta que foi procurado pelo então superintendente da emissora e sugeriu mudanças no estilo de o candidato se vestir.

Também foi acrescentada ao cenário uma pilha de pastas, que o próprio candidato afirmava conter documentos e denúncias contra Lula. Boni declarou que era apenas encenação, enquanto Collor nega que estivessem vazias.

Assista:

A repercussão chegou à Justiça Eleitoral. O PT entrou com uma ação no TSE pedindo que novos trechos do debate fossem exibidos pelo Jornal Nacional como direito de resposta antes da eleição. O recurso acabou negado. Artistas, intelectuais e até atores ligados à própria Globo também participaram de protestos contra a edição.

Décadas depois, a própria Globo passou a tratar o episódio em uma seção de sua memória institucional dedicada a "erros" na cobertura jornalística. A emissora afirma que, depois daquele caso, adotou a política de não editar debates políticos.

Três dias depois daquele segundo debate, em 17 de dezembro de 1989, os brasileiros foram às urnas. Fernando Collor venceu a disputa presidencial. Ele recebeu 35.089.998 votos, equivalentes a 42,75% do total contabilizado.

2026

O episódio histórico ressurgiu depois que Lula decidiu não comparecer ao último debate presidencial da Globo antes do primeiro turno de 2026. O encontro estava previsto para a noite desta quinta-feira (1º), mas acabou cancelado após uma sequência de acontecimentos.

Lula já havia comunicado que não participaria. Posteriormente, decisões judiciais alteraram aspectos das regras estabelecidas pela emissora para o programa, que foi proibida de exibir a cadeira vazia com seu nome. Minutos depois, outra decisão, desta vez do STF, garantiu a participação de Renan Santos (Missão).

Flávio Bolsonaro (PL), que até então estava confirmado, desistiu de participar. Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema (Novo) já estavam na Globo quando o cancelamento foi comunicado.

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