A deputada federal eleita Ana Elisa fez nesta quinta-feira (8) um apelo aos eleitores de direita para que votem no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais, marcado para o dia 25.
Em vídeo publicado nas redes sociais, a parlamentar argumentou que o bolsonarismo representa uma ameaça tanto à esquerda quanto à direita tradicional e defendeu a derrota de Flávio Bolsonaro (PL) como condição para o surgimento de novas lideranças conservadoras no país.
"Você que é de direita sabe que a direita foi engolida pelo bolsonarismo. No Brasil nós temos três hoje espectros políticos, esquerda, direita e bolsonarismo", declarou. A deputada sustentou que a permanência da família Bolsonaro na disputa pelo poder impede que outros grupos políticos de direita alcancem a presidência da República.
Veja a fala:
Ana Elisa direcionou sua mensagem principalmente aos eleitores de Renan Santos e Augusto Cury, candidatos derrotados no primeiro turno. Segundo a parlamentar, esses grupos não precisam abandonar suas convicções ideológicas nem manifestar apoio público a Lula, mas devem considerar o voto no petista como uma forma de preservar a possibilidade de alternância de poder no futuro.
"O eleitor que eu mais quero falar aqui hoje é o eleitor do Renan Santos. Eu sei que o eleitor do Renan Santos não é um eleitor com o mesmo espectro político e ideológico que o meu. Mas eu acho que vocês precisam pensar que vocês querem resgatar a direita no Brasil", ressaltou.
A deputada também argumentou que a derrota de Flávio seria necessária para permitir que a direita tradicional volte a disputar a liderança política nacional após o fim do governo petista. "Não existe a possibilidade, num pós-Lula, a direita governar o Brasil se nós não rompermos com o bolsonarismo este ano".
Ruptura institucional
A parlamentar avalia que há risco de uma ruptura democrática caso Flávio Bolsonaro vença as eleições. Ana Elisa acusou o candidato de apresentar sinais de que pretende concentrar poder e enfraquecer as instituições, comparando esse risco à experiência brasileira durante o Estado Novo, de Getúlio Vargas, e a ditadura militar iniciada em 1964.
"O bolsonarismo não tem mais fôlego para se sustentar por mais quatro anos sem uma presidência da república. Mas caso o Flávio Bolsonaro ganhe daqui 15 dias, muito provavelmente nós viveremos um regime ditatorial bolsonarista por mais de 30 anos", declarou.
Segundo a congressista eleita, mesmo os apoiadores do bolsonarismo poderiam perder direitos políticos e liberdades individuais caso não integrassem o núcleo de poder de um eventual governo autoritário. Ana Elisa mencionou o incêndio que atingiu um prédio da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), no Recife, na quarta-feira (7), como exemplo do cenário político que teme para o país.
Disputa pelo eleitorado de direita
O pronunciamento ocorre durante uma ofensiva da campanha de Lula para conquistar votos de eleitores que apoiaram outros candidatos no primeiro turno. Ana Elisa, eleita deputada federal pelo PT de Minas Gerais aos 21 anos, foi incorporada à estratégia de comunicação digital do presidente após as eleições de domingo (4).
Entre os principais alvos dessa mobilização está o eleitorado de Renan Santos (Missão), que recebeu cerca de 2,6 milhões de votos e terminou a disputa presidencial na quarta colocação. Após a derrota, Renan criticou o predomínio do bolsonarismo entre os conservadores e rejeitou apoiar Flávio Bolsonaro, mas também negou a possibilidade de declarar voto em Lula.
Na quarta-feira (7), Ana Elisa já havia defendido publicamente a aproximação com esses eleitores, argumentando que a consolidação do bolsonarismo representa um obstáculo para o projeto de renovação da direita defendido pelo Missão. A estratégia busca explorar as divergências entre o partido de Renan Santos e o PL para ampliar a votação de Lula no segundo turno.